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O padre Júlio Lancellotti disse que não faz parte de nenhuma organização não governamental (ONG)

Brasil de Fato – Alvo de setores conservadores da Câmara Municipal de São Paulo e de movimentos de extrema direita, o padre Julio Lancellotti tem recebido uma onda de apoio após o vereador Rubinho Nunes (União Brasil) anunciou que articula a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
O parlamentar associou Lancellotti, que atua há décadas em prol da população em situação de rua em São Paulo, a uma “máfia da miséria” ao comentar a instalação da CPI. Na imagem publicada, uma caricatura do padre carrega um rato nos ombros.
“Ele capitaneia tudo isso, então ele é uma figura que vai ser convocada tão logo a CPI seja instalada”, disse o vereador.
A CPI, se instalada, terá como objetivo declarado investigar organizações não governamentais (ONGs) que supostamente fornecem alimentos, utensílios para uso de substâncias ilícitas e tratamento aos grupos de usuários que frequentam a Cracolândia.
Em entrevista à CNN, o padre Júlio Lancellotti disse que não faz parte de nenhuma organização não governamental (ONG). Ele acredita na legalidade da CPI, mas justamente para investigar esses órgãos.
Ainda segundo ele, a atividade da Pastoral de Rua, cujo coordenador é a liderança religiosa, é “uma ação pastoral da Arquidiocese de São Paulo, que por sua vez, não se encontra vinculada de nenhuma forma, as atividades que constituem o objetivo do requerimento aprovado para criação da CPI em questão”.
O ministro das Relações Institucionais do governo Lula (PT), Alexandre Padilha, manifestou apoio e solidariedade ao padre Julio e classificou a proposta da CPI como “inacreditável”.
Um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, foi na mesma linha e afirmou a “instalação de uma CPI que é nitidamente uma tentativa de perseguição política ao padre Julio Lancellotti e todos aqueles que lutam pela justiça social”.
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) disse que é “inadmissível que a Câmara de Vereadores de São Paulo tente instalar uma CPI contra o padre Julio Lancellotti”.
Não é a primeira vez que Lancellotti é alvo de setores conservadores da Câmara Municipal de São Paulo e de movimentos de extrema direita. Em outubro de 2020, Arthur do Val, colega de Rubinho Nunes dentro do Movimento Brasil Livre (MBL), foi condenado pela Justiça após chamar Lancellotti de “cafetão da miséria”.
A Justiça também condenou, em agosto de 2022, o bolsonarista Luciano Hang por chamar o padre Julio de “hipócrita” e o acusá-lo de “defender bandidos”. “É da turma do Lula. Hipocrisia pura. Temos que ensinar a pescar, e não dar o peixe. Cada dia que passa é mais malandro vivendo nas costas de quem trabalha”, disse Hang. “Quem defende bandido, bandido é”, acrescentou.