Silas Câmara enfrenta ‘inferno’ com cassação e insatisfação de bancada evangélica

Silas Cãmara enfrenta dois grandes desafios essa semana: se livrar de cassação no TRE-AM e reconquistar deputados evangélicos

Silas está enfrentando grandes desafios essa semana (Foto; Divulgação/Câmara dos Deputados)

O processo que analisa uma possível cassação do deputado federal Silas Câmara (Republicanos) será analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) nesta quarta-feira (24/01). Ele é acusado por supostos gastos ilícitos no valor de R$ 396,5 mil, com recursos na campanha de 2022, quando ele foi reeleito. O dinheiro teria sido gasto com aluguel de aviões e entre os beneficiados estão o seu irmão, deputado estadual, Dan Câmara (PSC) e outros passageiros, incluindo crianças.

Em dezembro, o TRE-AM formou maioria para cassá-lo, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do juiz Marcelo Manuel da Costa Vieira. O placar contou com quatro votos desfavoráveis a Silas Câmara, incluindo o do relator do processo, juiz Pedro de Araújo Ribeiro, que julgou procedente o pedido de representação do Ministério Público Eleitoral (MPE-AM) pela cassação do diploma e anulação dos votos do deputado federal.

O voto dele foi acompanhado pela desembargadora e vice-presidente do TRE-AM, Carla Reis e pelos juízes Marcelo Soares e Fabrício Frota Marques. Na nova sessão de julgamento desta quarta-feira, os magistrados podem mudar os votos.

Adail Filho na berlinda

Caso Silas seja cassado, a decisão vai impactar o mandato do deputado federal Adail Filho, que conseguiu a cadeira federal com a soa de votos conquistados pelo partido Republicanos.

Rachadinha

No final de 2022, Silas Câmara assinou um acordo de não persecução penal e, por isso, deixou de responder a uma ação por um esquema de “rachadinha” em seu gabinete nos anos de 2000 e 2001. Além de ter confessado o crime de peculato, o parlamentar pagou uma multa de R$ 242 mil, como uma forma de restituir o erário.

“Admito, para fins do disposto no artigo 28-A do Código de Processo Penal, que há mais de duas décadas, entre janeiro de 2000 e dezembro de 2001, recebi transferências e depósitos feitos por assessores parlamentares nomeados para o gabinete, apos receberem seus respectivos vencimentos, fato do qual me arrependo, tendo encerrado a prática ainda naquele ano de 2000”, disse à Justiça.

Indisposição com colegas evangélicos

A maré não está boa para Silas Câmara, que agora irritou deputados evangélicos após mudar o tom sobre anulação de inseção fiscal a pastores. Isso aconteceu na semana passada após o deputado, que é presidente da Frente Parlamentar Evangélica, se reunir com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Ao passar pano para Lula e declarar “diálogo aberto com o governo”, membros da própria frente dispararam contra Silas.

“Que diálogo? Com que pastor? Ele que fale por ele”, retrucou o vice-presidente da frente, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

De acordo com o ministro, há dúvidas acerca da interpretação da lei aprovada durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que ampliou a isenção de contribuições previdenciárias sobre a remuneração de líderes religiosos, além de livrar as igrejas de dívidas milionárias.

A bancada evangélica é majoritariamente de oposição ao atual governo e impôs derrotas significativas ao Planalto

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