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Inúmeras postagens enganosas distorcem a verdade sobre a venda da empresa Mineração Taboca S.A pela Minsur S.A. para os chineses, segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Serafim Corrêa. Neste domingo (01/12), ele contestou a onda de desinformação gerada após o anúncio da venda da maior produtora de estanho do Brasil por US$ 340 milhões.
Serafim destacou que veículos de comunicação noticiaram que a China havia comprado uma reserva rica de urânio no interior do Amazonas. Na verdade, o que foi vendido aos chineses foi a empresa Mineração Taboca, que produz estanho na Mina de Pitinga, em Presidente Figueiredo.
“O grupo Minsur considerou melhor, do ponto de vista empresarial, vender a empresa para os chineses, que detém tecnologia e capital para investimentos, por um preço considerado muito vantajoso para o grupo. Portanto, foi uma operação entre empresas, algo absolutamente normal no dia a dia do mundo dos negócios. Da minha parte, entendo não ser cabível hostilidade a qualquer empresa, seja ela peruana, americana ou chinesa. O Brasil precisa acabar com isso! Somos carentes de investimentos”, declarou ele.
A informação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria autorizado a venda de urânio para a China é falsa, tendo em vista se tratar de uma venda privada. Qualquer afirmação sobre isso, segundo Serafim, é desinformação. A venda de urânio no Brasil permanece com exclusividade da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), conforme estabelece a Constituição Federal.
A INB informou que a área em que a empresa atua também contém resíduos de urânio, mas o urânio que existe nessa jazida vai para o rejeito. A empresa pública é vinculada ao Ministério de Minas e Energia responsável pela exploração de minas de urânio no Brasil.
A entidade esclareceu, por meio de nota, que a exclusividade da exploração do minério é assegurada por força de lei à INB, e qualquer eventual exploração precisa ser feita em parceria.
O Governo do Amazonas também se manifestou por meio de nota e informou que a compra das ações da Mineração Taboca foi uma operação privada.
O governo estadual destacou que apoia investimentos que favoreçam o crescimento econômico e social, desde que cumpram as leis e as normas ambientais. Também se compromete a dialogar com o novo controlador, visando a preservação de empregos e atração de novos investimentos.
A presença de urânio na mina foi explorada pelos políticos da direita amazonense para por dúvidas em relação a atuação da empresa. A desinformação sobre a venda fez com que deputados repercutissem o assunto na Câmara Federal, em Brasília.
O deputado federal Capitão Alberto Neto (PL/AM), por exemplo, pediu a criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para investigar, no prazo de até 120 dias, a compra. Já o deputado federal Fausto Santos Jr. (União-AM) apresentou um requerimento à Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados solicitando uma audiência pública para discutir a venda.
Em comunicado, a Mineração Taboca anunciou a transferência de 100% das ações para a empresa estatal chinesa. A Mineração Taboca é conhecida pela descoberta da mina em 1979, situada na Vila Balbina, a 300 km de Manaus. A empresa explora cassiterita, nióbio e tântalo e produz estanho refinado do Brasil.
“Este novo momento é estratégico e constitui uma oportunidade de crescimento para a Mineração Taboca, pois permitirá acesso a novas tecnologias, se tornando mais competitiva e capacidade produtiva”, conclui o comunicado.
Para Serafim Corrêa, a chegada da gigante chinesa será positiva para a economia do Estado.
“A meu ver, isso indica que a China, após a inauguração do Porto de Chankay, vai investir pesado na América do Sul, em especial no Brasil. Isso é positivo. Investimento na compra foi de 340 milhões de dólares, ou seja dois bilhões de reais”.