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Os terroristas que assumiram o controle da Síria, em 8 de dezembro do ano passado, tem trabalhado “duro” para vender uma imagem de moderação e de respeito às minorias religiosas do país. Porém, a máscara de bons mocinhos religiosos não durou nem três meses e caiu.
Com o apoio da Turquia e de terroristas estrangeiros, o novo governo sírio – sob o comando de Ahmad Sharaa, conhecido como Al-Joulani -, têm promovido um verdadeiro banho de sangue contra cristãos e muçulmanos em pleno mês sagrado do Ramadã nos últimos dias na Síria. A matança veio acompanhada de um silêncio criminoso por parte dos Estados Unidos e de países europeus, que posam de defensores dos direitos humanos, mas que, até o momento, foram incapazes de condenar a barbárie cometido pelos atuais governantes sírios que o mundo ocidental ajudou a colocar no poder na Síria.
Desde a última quinta-feira (06/03), a violência do governo extremista sírio, que conta com o suporte do regime turco e de mercenários vindos de vários países, resultou na morte de mais de 1.450 pessoas – a maioria civis, incluindo dezenas dezenas de mulheres, crianças e idosos -, nas províncias costeiras do país, áreas habitadas majoritariamente por muçulmanos alauítas, comunidade que representa em torno de 10% da população síria, e também por cristãos e muçulmanos xiitas.
Segundo levantamento, divulgado no domingo (09/03), pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), sediado no Reino Unido, a entidade documentou mais de 973 civis mortos em 39 massacres e outras execuções individuais cometidas por forças militares e de segurança no litoral sírio e nas montanhas de Latakia, Tartous, Jableh e Banias, além de Homs e Hama. Além deles, 481 membros das forças de segurança do atual governo e combatentes leais ao antigo regime do ex-presidente Bashar Al-Assad teriam morrido em confrontos, totalizando 1.454 pessoas mortas nesta onda de violência sectária.

O número elevado de civis mortos se deve, principalmente, aos assassinatos indiscriminados cometidos por membros das forças de segurança do novo governo sírio e milícias armadas vinculadas a Al-Joulani, em sua maioria composta por estrangeiros vindos de países da Ásia Central com populações de origem turca, como Uzbequistão e Chechênia, entre outros. Os terroristas entraram no território sírio pela Turquia, que já enviou ajudou militar para auxiliar o governo de Al-Joulani.
Dezenas de vídeos veiculados nas redes sociais mostram os terroristas cometendo execuções e sumárias de civis, torturas, agressões físicas e xingamentos em diversas cidades da região costeira da Síria.
Além dos assassinatos em massa, há relatos de estupros contra mulheres e crianças, e, também, saques de lojas e casas. A maioria esmagadora das vítimas pertence a comunidade alauíta, porém, entre elas, há cristãos e alguns muçulmanos sunitas que discordam dos atuais governantes sírios, que seguem uma versão deturpada e extremista do sunismo islâmico.
Moradores relatam o terror

De acordo com matéria da BBC, com sede em Londres, em Hai Al Kusour, um bairro predominantemente alauíta na cidade costeira de Banias, os moradores disseram que as ruas estão cheias de corpos espalhados, empilhados e cobertos de sangue. Homens de diferentes idades foram mortos a tiros lá, disseram testemunhas.
“Eles eram estranhos, não consigo identificar sua identidade ou idioma, mas pareciam ser uzbeques ou chechenos”, disse o morador de Hai Al-Kusour, Ayman Fares, em entrevista para a BBC. Fares disse, ainda, que viu famílias mortas em suas próprias casas e mulheres e crianças cobertas de sangue. Algumas famílias correram para os telhados para se esconder, mas não foram poupadas do derramamento de sangue. “É horrível”, disse ele.
Outro outro morador de Banias, identificado apenas como Ali, afirmou que ele, a esposa e filha de 14 anos, tiveram que fugir de casa em Hai Al-Kusour após tomar conhecimento dos massacres na cidade.
“Eles vieram ao nosso prédio. Ficamos muito assustados só de ouvir o fogo e os gritos das pessoas na vizinhança. Soubemos das mortes por meio de postagens esporádicas no Facebook quando conseguimos nos conectar. Mas quando eles vieram ao nosso prédio, pensamos que tínhamos acabado. Eles estavam atrás de dinheiro. Eles bateram na porta do nosso vizinho, levando seu carro, seu dinheiro e todo o ouro ou objetos de valor que ele tinha em casa. Mas ele não foi morto”, disse à BBC.
Revolta popular
A nova onda de violência ocorre em meio a uma revolta popular contra os atuais governantes da Síria, que têm sido incapazes de providenciar segurança e melhorar as condições de vida do povo síria. Em cidades costeiras como Latakia, há escassez de comida, água e eletricidade.
Atualmente, 90% da população da Síria vive abaixo da linha da pobreza e milhares de pessoas estão sem renda, criando um terreno fértil para uma rebelião.
Na semana passada, Ghiath Dallah, um ex-general de brigada do exército de Assad, anunciou uma nova revolta contra o atual governo ao estabelecer o “Conselho Militar para a Libertação da Síria”. Há relatos de que ex-oficiais de segurança do antigo governo que se recusaram a entregar as armas, agora, estão formando um grupo de resistência nas montanhas.
Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), 231 membros das forças de segurança do atual governo e 250 combatentes leais ao antigo regime do ex-presidente Bashar Al-Assad teriam morrido nos confrontos iniciados desde a última quinta-feira (06/03).
Com informações das agências internacionais de notícias