Rússia repudia Trump por ameaçar bombardear o Irã e chama ultimatos de ‘inapropriados’

Sergey Ryabkov afirma que EUA querem impor a própria vontade sobre o Irã (Foto: Divulgação/UN)

A Rússia voltou a repudiar as recentes ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prometeu bombardear o Irã se os dois países não chegassem a um acordo sobre o programa nuclear iraniano. Para o governo russo, os ultimatos são “inapropriados” e mostram que os norte-americanos querem impor sua própria vontade sobre o Irã.

“Ameaças estão de fato sendo ouvidas, ultimatos também estão sendo ouvidos. Consideramos esses métodos inapropriados, os condenamos e os consideramos uma forma de (os EUA) imporem sua própria vontade ao lado iraniano”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, à revista russa “International Affairs” em uma entrevista publicada na terça-feira (01/04).

Embora tenha evitado fazer críticas contundentes a Trump, a Rússia tem rejeitado às ameaças dos Estados Unidos contra o Irã. Os russos já se ofereceram para mediar entre o governo Trump e o Irã, com o qual assinou um tratado de parceria estratégica em janeiro.

Irã rejeita ameaças de Trump

Trump, em seus primeiros comentários desde que o Irã rejeitou negociações diretas com Washington, disse à NBC News no fim de semana que Teerã poderia enfrentar bombardeios e tarifas comerciais secundárias se não chegasse a um acordo sobre seu programa nuclear. “Se eles não fizerem um acordo, haverá bombardeios”, disse ele. “Será um bombardeio como eles nunca viram antes.”

No último domingo (30/03, em entrevista dada a um emissora de TV norte-americana, Donald Trump elevou o tom de suas ameaças ao declarar que o Irã enfrentará “bombardeios como nunca viu antes” caso não chegue a um acordo sobre seu programa nuclear. “Se eles (os iranianos) não fizerem um acordo, haverá bombardeios”, exclamou Trump.

Por sua vez, o Irã deu sinais de que aceita participar de negociações indiretas com os norte-americanos. Porém, o país já afirmou que rejeita negociar sob pressão e exige que Trump abaixe o tom das ameaças. O chefe da Guarda Revolucionária prometeu que o Irã dará uma “resposta devastadora” a qualquer ataque dos Estados Unidos.

Aumento da força militar no Oriente Médio

As ameaças de Trump coincide com o aumento da presença militar dos Estados Unidos perto do Oriente Médio. Em um movimento surpreendente, os norte-americanos enviaram um imenso grupo de porta-aviões para o Oriente Médio, gerando tensão máxima na região.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou, na última terça-feira (01/04), que o Carl Vinson Carrier Strike Group, que recentemente estava nas Filipinas, agora se desloca para a zona de instabilidade no Oriente Médio, sob comando do CENTCOM – a força militar americana responsável por essa área.

Segundo informações do site especializado The Warzone, publicadas em 26 de março, há uma movimentação militar de grande escala por parte dos Estados Unidos no Oriente Médio. O país teria deslocado uma parte significativa da frota de bombardeiros furtivos B-2 Spirit para a base militar norte-americana em Diego Garcia, uma ilha remota localizada no Oceano Índico.

O aumento da presença militar ocorre, também, num momento que os Estados Unidos têm feito repetidas agressões contra o Iêmen, aliado do Irã, que, por sua vez, tem atacado alvos israelenses em apoio ao povo palestino, que sofre com o genocídio praticado por Israel com o apoio norte-americano.

add_action('wp_footer', function() { ?>