Terror da covid-19 volta a atormentar o Amazonas; cidade do interior exige uso de máscara

Indígena é vacinado durante a pandemia da covid-19 em 2021 (Foto: Divulgação)

Um dos Estados que mais sofreu com a pandemia da covid-19, o Amazonas voltou a ser notícia por conta da doença que assombra o mundo desde 2020. Devido ao aumento nos casos de infecção, a prefeitura de São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros de Manaus) decretou, na última sexta-feira (25/04), o retorno do uso obrigatório de máscaras em ambientes fechados, como repartições públicas, estabelecimentos comerciais, escolas, igrejas e até nos transportes coletivos.  

A medida foi tomada em razão do aumento nos casos de covid-19 no município e atende a uma recomendação da Defensoria Pública do Amazonas (DPE). De acordo com o órgão, somente em abril, o município registrou quase 400 casos positivos de covid-19 de 897 suspeitos. Em março, de 197 casos suspeitos, foram registrados 87 casos positivos. Em dezembro do ano passado, o número de casos registrados foi 14.

“A alta procura pelos testes revelam outra informação: mesmo os casos negativos para covid-19 indicam que outras viroses respiratórias estão circulando na cidade, colocando em risco a saúde da população”, diz ofício encaminhado pelo defensor público Marcelo Barbosa à Secretaria Municipal de Saúde, na última quarta-feira (23/04), recomendando a medida.

Além da obrigatoriedade do uso de máscaras, a prefeitura também restringiu o acesso às áreas indígenas para pessoas que não apresentem caderneta de vacinação contra a covid-19 atualizada ou teste negativo realizado nas últimas 48 horas. O decreto permanecerá vigente enquanto houver recomendações das autoridades sobre o uso de máscaras. 

Segundo a prefeitura, a medida visa proteger a população local, especialmente as comunidades indígenas, que representam cerca de 90% dos habitantes do município.

Em nota, a prefeitura anunciou o adiamento do evento de lançamento do Festival Cultural dos Povos Indígenas do Alto Rio Negro (Festribal), que ocorreria no sábado. “Informamos que nova data será divulgada em tempo oportuno”, diz a prefeitura.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que está realizando testes rápidos de covid-19 nas unidades básicas de saúde (UBS), para pessoas que apresentarem sintomas gripais.

A fiscalização para o cumprimento das determinações do decreto ficará a cargo de órgãos e do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), que poderão solicitar documentação comprobatória, no caso da entrada em áreas indígenas. O descumprimento das medidas determinadas poderá resultar em sanções administrativas, além de outras medidas cabíveis conforme a legislação vigente. 

Pandemia no Amazonas

Conforme dados atualizados até o último dia 23 de abril deste ano do Painel Epidemiológico da Coivd-19 da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), desde o início da pandemia, foram confirmados 650.631 casos de covid-19 em todo o território amazonense. Neste período, a doença causou 14.555 mortes no Estado.

Entre os dias 16 e 23 de abril deste ano, quando saiu o último boletim atualizado, foram registrados 13 novos casos de covid-19 no Amazonas.

O dia mais mortal da pandemia foi em 14 de janeiro de 2021, quando a capital Manaus sofreu com a maior tragédia da saúde pública amazonense devido à falta de oxigênio nos hospitais da cidade, resultou na morte de mais de 60 pessoas e fez mais de 500 pacientes serem transferidos às pressas para unidades hospitalares em outros Estados. Até hoje ninguém foi responsabilizado pela crise do oxigênio no Amazonas. Na época o ministro da Saúde no Brasil era o general Eduardo Pazuello, hoje deputado federal do Partido Liberal pelo Rio de Janeiro.

Com informações da Agência Brasil

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