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Uma reunião realizada na semana passada entre a Prefeitura de Manaus e comerciantes que atuam na área central da cidade mostra a sintonia entre a atual gestão municipal e os empresários para o resgate do Centro. O encontro promovido no último dia 1º de setembro, pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) com representantes da comunidade árabe no Amazonas e da Associação Comercial do Estado do Amazonas (ACA-AM), tratou sobre a revitalização da Marechal Deodoro, “rua conceito” do centro histórico e comercial da capital amazonense, conhecida como “bate-palma”.
Na ocasião, além das ações do “Mutirão no Bairro”, promovido no Centro, foi debatido uma série de medidas para a revitalização da região, incluindo a retirada de fios e cabos de postes sem uso e a modernização das fachadas.
A iniciativa agradou os empresários da rua Marechal Deodoro. Segundo o empresário Walid Saleh, que possui imóveis na região e participou da reunião, os comerciantes da comunidade árabe deram todo apoio às ações da Prefeitura de Manaus
“A Marechal Deodoro é uma rua conceito do Centro. No momento que o Centro sofria com a saída de grandes empresas e a retirada da sede de vários órgãos públicos, tanto municipais quanto estaduais, a Marechal Deodoro conseguiu por meio do ‘shopping bate-palmas’ dar vida ao Centro e mantê-lo vivo. Enquanto a Marechal Deodoro e o Centro estiverem vivos, Manaus estará bem”, avaliou Walid.
Para a revitalização da rua Marechal Deodoro, foi aberta uma ação civil por parte do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) determinando a abertura de processos administrativos para cada imóvel na via por meio da Gerência de Patrimônio Histórico (GPH).
Segundo a Prefeitura de Manaus, de 53 unidades listadas na rua, 29 processos já foram devidamente abertos e 24 estão pendentes de comparecimento por parte dos proprietários. “Nos últimos dois meses, a GPH tem se debruçado na fiscalização da Marechal Deodoro, atuando na proteção do patrimônio histórico-cultural e definitiva reabilitação do espaço”, diz a prefeitura.
“Recebemos representantes da comunidade árabe e da Associação Comercial do Amazonas para tratar de uma ação judicial envolvendo a rua Marechal Deodoro. Como o Implurb, junto com a prefeitura, já atua no ordenamento do Centro, aproveitamos o encontro para alinhar as próximas etapas. Foi um diálogo muito proveitoso e a expectativa é que, nas próximas semanas, tenhamos uma situação bem melhor na Marechal”, destacou o vice-presidente do Implurb, Antonio Peixoto.
A ação civil do MP-AM e da Vara Especializada do Meio Ambiente (Vema) é desdobramento de um antigo processo dos anos 2000, da intervenção conhecida como “Shopping a Céu Aberto”, que modificou a configuração da rua, incluindo uma cobertura construída em desacordo com os prédios tombados.
As equipes técnicas do Implurb atuam para combater a poluição visual e estrutural que afeta a fachada dos imóveis tombados, promovendo a valorização e a manutenção do Centro Histórico de Manaus.
A decisão judicial determina que o instituto abra procedimentos administrativos individuais para cada imóvel. A ação é vista como um passo importante para garantir a efetividade da legislação e a correta conservação das edificações históricas.
Segundo a gerente de Patrimônio Histórico do Implurb, Landa Bernardo, as principais inconformidades encontradas são de natureza publicitária e relacionadas aos toldos. “A primeira coisa que nós vemos de inconformidade são questões de engenhos publicitários e dos toldos. Os 100% dos toldos não estão de acordo com a legislação, então eles precisam ser retirados e ser refeitos”, explicou.
A gerente destaca que a poluição visual não apenas desvaloriza os bens, mas também dificulta as operações essenciais de manutenção e limpeza urbana, como a atuação da concessionária de energia.
Com a abertura dos procedimentos administrativos, o Implurb atua em sintonia com a decisão judicial, demonstrando proatividade na busca por um centro histórico mais bonito, seguro e acessível. A iniciativa representa um esforço conjunto para devolver a identidade e o valor cultural ao coração de Manaus.