Amazonas lidera registros de pistolagem por conflitos no campo em 2023

Amazonas está entre os Estados com o maior número de mortes por violência em conflitos no campo
Violência no campo tem como principal causa as invasões de terras (Foto: Divulgação)

Os dados registrados, em 2023, no Brasil, pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), apontam que o Amazonas está entre os Estados com o maior número de mortes por violência em conflitos no campo. O Estado lidera ainda nos casos de pistolagem com 7,3 mil famílias atingidas.

Já Rondônia é líder disparado em famílias ameaçadas de despejo (7,1 mil), enquanto que o Amazonas vem na sequência, com 2.293 famílias sob ameaça de expulsão.

No total, em 2023, foram registrados 31 assassinatos por conflitos no campo no Amazonas, uma diminuição de quase 34% em relação ao ano anterior, quando foram mortas 47 pessoas no campo.

A maior proporção de vítimas foi do Estado de Rondônia (com 5 mortes), seguido do Amazonas, Bahia, Maranhão e Roraima, com quatro vítimas cada. Foram tiradas as vidas de 14 indígenas e nove sem-terra, sendo estas as populações que mais sofrem deste tipo de violência extrema, seguidos de posseiros (4) e quilombolas (3).

As invasões motivaram a maior parte dos conflitos, com Roraima e Amazonas mais afetados.

Conflito na fronteira

Na região que compreende quase 60% do território brasileiro, houve diminuição no desmatamento, com destaque para as ações de fiscalização da Polícia Federal no combate aos garimpos ilegais. Mas a violência tem crescido em regiões como a da tríplice divisa dos estados do Amazonas, Acre e Rondônia (chamada de Amacro ou Zona de Desenvolvimento Sustentável Abunã-Madeira).

Dos 31 assassinatos no país, 8 foram nesta região, sendo 5 causados por grileiros. A região prometida como “modelo” de desenvolvimento com foco na sociobiodiversidade, tornou-se epicentro de grilagem para exploração madeireira e criação de gado, com altas taxas de desmatamento, queimadas e conflitos.

O relatório Conflitos no Campo também revela que a violência tem crescido na região chamada de Amacro, com 200 conflitos registrados. 22 comunidades no Brasil estiveram envolvidas em conflitos relacionados a projetos de carbono em 2023, liderados pelo Pará.

Região Norte

A Amazônia Legal concentrou quase metade de todos os conflitos no campo registrados em 2023 no Brasil pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Dos 2.203 episódios contabilizados no ano passado, 1.034 ocorreram na região amazônica, que compreende nove estados brasileiros.

Segundo a CPT, que produz anualmente o relatório Conflitos no Campo, este é terceiro maior número de casos em toda a série histórica, que começou em 1985. Em primeiro lugar ficou 2020, com 1.167 ocorrências, e em segundo vem 2022, com 1.117 registros.

Das 31 pessoas assassinadas por conflitos no campo em 2023, 19 estavam na Amazônia. Foram registradas 54 ocorrências de trabalho escravo, com 250 trabalhadores resgatados, principalmente no Pará e Maranhão. Dos 180 registros de mulheres vitimadas pela violência no campo no país, 120 foram na região amazônica.

Em 2023, o Pará liderou a contagem por estado com 226 conflitos. As Terras Indígenas (TIs) Munduruku e Kayapó foram as mais impactadas. Maranhão (206) e Rondônia (186) vêm em seguida. A região Norte foi a que mais teve conflitos no campo em 2023, com 810 ocorrências.