Eletrobras luta para cobrar dívida de mais de R$ 10 bi da Amazonas Energia

Amazonas Energia não realiza nenhum pagamento desde novembro, quando a Aneel recomendou a caducidade da concessão
Amazonas Energia não paga dívida desde novembro do ano passado (Foto: Divulgação)

A Eletrobras está com a empresa Amazonas Energia “atravessada na garganta”. O CEO Ivan Monteiro informou que a estatal tem tentado de todas as formas e vias judiciais receber a dívida contraída pela concessionária que atende o Estado e que já supera os R$ 10 bilhões.

Além disso, ele informou que a Eletrobras vê como solução para Amazonas Energia a troca de controlador. “A não contabilização no 1T24 de R$ 432 milhões no caixa da empresa por conta de inadimplência recente teve impacto negativo relevante no balanço. A gente está adotando todas as providencias de natureza jurídica, cobrando os nossos créditos que tão inadimplidos. Há um conjunto de interlocuções com a Aneel e com o Ministério de Minas e Energia”, destacou o CEO da companhia.

Segundo a Eletrobras, a Amazonas Energia não realiza nenhum pagamento desde novembro, quando a agência reguladora recomendou ao governo a caducidade da concessão.

“Já temos nesse momento judicializadas as execuções contra a Amazonas Energia em mais de três quartos do valor total da dívida que eles têm com o grupo, os processos de cobrança estão em andamento, com atuação bastante forte da Eletrobras”, disse o vice-presidente jurídico, Marcelo de Siqueira Freitas.

Troca de controlador

Em fevereiro deste ano, o Ministério de Minas e Energia divulgou um relatório no qual aponta a necessidade de troca do controlador da distribuidora e também mudanças legislativas para garantir a sustentabilidade da concessão.

Já no início do mês de maio, em reunião com agentes do mercado financeiro, o secretário nacional de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, Gentil Nogueira, declarou que a concessão da Amazonas Energia pode chegar ao fim a qualquer momento.

A Eletrobras tem expectativa de que o governo proponha medidas para viabilizar a troca de controle. “Especialmente depois da recomendação de caducidade da Aneel, o atual controlador vem demonstrando crescente perda de condições de prestação dos serviços… Trabalhamos com cenário de termos avanço no curto prazo em termos de troca de controle”, disse, na época, o vice-presidente regulatório da Eletrobras, Rodrigo Limp. A reportagem não obteve sucesso em falar com a Amazonas Energia.