Após criticar Lula, Amom Mandel recebe duras críticas por ignorar genocídio de Israel contra palestinos

Amom Mandel foi acusado por internautas de fazer 'vista grossa' para a matança de crianças e mulheres palestinas
Amom Mandel tem sido duramente criticado por ignorar sofrimento de civis palestinos (Foto: Divulgação)

O deputado federal Amom Mandel (Cidadania) tem recebido uma “chuva” de críticas de internautas após atacar o presidente Lula, que classificou como genocídio a política levada a cabo por Israel contra a população palestina na Faixa de Gaza.

“Totalmente desnecessárias e graves as declarações do presidente Lula sobre Israel. Dizer que as ações militares de Israel na Faixa de Gaza configuram um genocídio e ainda fazer um paralelo com o extermínio de judeus promovido por Adolf Hitler é mais que um erro diplomático, é uma aberração. Fica aqui meu repúdio”, disse o parlamentar no X, antigo Twitter.

A declaração não passou desapercebida e foi duramente criticada pelos próprios seguidores de Amom. Gabriel Delvechio questionou o deputado na própria publicação.

“Você já viu quantos palestinos morreram? Já viu todos os vídeos? Posso te mandar uma página que posta diariamente o povo sendo massacrado e a outra pergunta, pq não se configura genocídio?”, disse.

Outra seguidora também acompanhou o pensamento de Gabriel e relembrou as milhares de mortes de crianças palestinas durante os conflitos.

“Sério que essa fala te incomodou mais do que várias crianças inocentes sendo mortas?”

disse Regina

Após ser criticado por ela, o deputado federal respondeu a postagem da internauta e voltou a reafirmar a sua postura contra o presidente Lula.

“Sua comparação é descabida. Bastaria olhar manifestações anteriores minhas condenando também atos do próprio governo de Israel. Sigo uma filosofia de vida em que não há justificativa plausível para mortes e violência. Nesse sentido, obviamente tanto Israel quanto a Palestina estão errados. Não estou passando pano pra morte nenhuma. Inclusive critico ações do governo Israelense também, como a morte do autista desarmado há alguns meses, bem como uma série de outras situações injustificáveis. Como judeu e autista, estou no meu local de fala e não me omito. Sei distinguir os erros de um governo da natureza de um povo inteiro – os judeus não são apenas cidadãos de um país, mas um povo espalhado por todo o mundo. Sobre a minha opinião nesse caso específico: Totalmente errado e desnecessário. Não acho que o presidente do Brasil criar uma crise diplomática é bom para o país, ainda mais considerando o posicionamento da maior potência mundial nesse caso e as possíveis repercussões para o Brasil. É saudável discordar e debater. Nem sempre teremos a mesma opinião. Vamos em frente!”.

Amom visa apoio bolsonarista, aponta internauta

Amom Mandel chegou a responder alguns questionamentos na plataforma. Victor Yuri, além de citar as mortes de crianças inocentes, insinuou que a postura do deputado seria uma forma de não perder o apoio de bolsonaristas na eleição deste ano, já que ele deve ser o pré-candidato do Cidadania à Prefeitura de Manaus.

“Amom onde você tava enquanto milhares de crianças palestinas morriam e ainda morrem todos os dias ? Você só tá repreendendo pra não perder espaço com o reduto bolsonarista em Manaus?”.

Dessa vez, o parlamentar preferiu não fazer qualquer comentário.

Posicionamento de Lula e repercussão

Em entrevista coletiva neste domingo (18/02), o presidente Lula comparou o massacre promovido pelas forças militares de Israel contra a população na faixa de Gaza ao genocídio promovido por Adolf Hitler contra os judeus na Segunda Guerra Mundial. Em resposta, primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que vai convocar o embaixador brasileiro para “uma dura conversa de repreensão”.

“Sabe, o que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino, não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”, afirmou o presidente antes de deixar a Etiópia, país onde ele participou da 37ª Cúpula da União Africana. O presidente retorna neste domingo para o Brasil.

O vice-presidente, Geraldo Alckmin, disse nesta segunda-feira (19) que a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é pela paz na Palestina. “O que ele defende é a paz. O que ele quer é a paz, que haja aí um cessar-fogo no sentido da busca pela paz”, enfatizou após participar de encontro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).