Biden aprova venda de US$ 8 bi em armas a Israel em meio a guerra que já matou 45 mil palestinos

Presidente estadunidense envia proposta ao Congresso dias antes de encerrar mandato

Israel já destruiu 80% dos prédios em Gaza (Foto: Reprodução TV)

Em mais uma medida para financiar o genocídio em curso na Palestina e as guerras em outros países do Oriente Médio, o governo do presidente norte-americano Joe Biden aprovou uma venda de armas de quase US$ 8 bilhões (em torno de R$ 49,2 bilhões) para Israel. A informação foi divulgada, neste sábado (04/01), pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Segundo o site especializado em política internacional Axios, a venda incluiria mísseis, drones, projéteis de artilharia, bombas e outros armamentos, além de munições. A medida de Biden, que foi tomada às vésperas do fim de seu mandato – que se encerra no dia 20 de janeiro, quando Donald Trump assumirá a Presidência dos Estados Unidos -, ainda precisa ser aprovada pelo Congresso norte-americano

Caso a venda seja aprovada, as armas serão usadas na guerra que já matou mais de 45,6 mil palestinos e feriu outras 108.583 pessoas na Faixa de Gaza, segundo dados das autoridades palestinas de Saúde

Segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, a venda das armas seria para “Israel defender seus cidadãos” e impedir o que chamou de “agressão do Irã e de suas organizações aliadas”.

EUA apoiam genocídio

Joe Biden é um dos principais responsáveis por financiar os crimes de Israel e o genocídio na Palestina (Foto: Instagram)

A venda de armas ao governo do carniceiro judeu Benjamin Netanyahu, que teve a prisão decretada após ser acusado de crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), ocorre um dia após o regime israelense assassinar ao menos 129 palestinos, incluindo mulheres e crianças, entre quinta (02/01) e sexta-feira (03/01), na Faixa de Gaza, de acordo com as autoridades palestinas de Saúde. Somente na sexta-feira, as agressões israelenses deixaram pelo menos 70 mortos, disseram médicos palestinos.

“Por volta das 2h fomos acordados pelo som de uma enorme explosão”, disse Ahmed Ayyan, um vizinho do imóvel atacado na Cidade de Gaza, afirmando que 14 ou 15 pessoas estavam na casa, que ficou completamente destruída no ataque. “A maioria delas são mulheres e crianças, todos são civis, não há ninguém lá que tenha disparado mísseis ou que seja da resistência”, Ayyan disse à Reuters.

Outro ataque a uma casa na Cidade de Gaza matou cinco pessoas mais tarde deste sábado, de acordo com o Serviço de Emergência Civil Palestino. A estimativa é que ao menos outras 10 estejam presas sob os escombros. O governo israelense não comentou sobre as agressões, que ocorrem em meio a novas negociações de cessar-fogo entre Israel e Hamas e a libertações de prisioneiros israelenses e palestinos.

‘Medidas mais drásticas’

Mark Seddon, diretor do Centro de Estudos da ONU na Universidade de Buckingham, diz que a documentação das violações israelenses da lei internacional, principalmente aos ataques a infraestruturas de hospitais e centros médicos, não foi acompanhada por ações efetivas.

“Acho que agora o mundo está olhando e perguntando que medidas serão tomadas [sobre os ataques de Israel]. Porque temos visto repetidamente essas alegações de que os israelenses estão cometendo crimes contra a humanidade, mas não estamos vendo nenhuma ação”, disse Seddon à emissora catari Al Jazeera.

“[A ONU] precisa lembrar que depois de Srebrenica [na Bósnia e Herzegovina], depois de Ruanda, esses genocídios nunca mais deveriam acontecer”, acrescentou o diretor.

Com informações das agências internacionais

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