Bruna Alexandre será a primeira atleta paralímpica brasileira em Jogos Olímpicos

Catarinense integrante do Bolsa Atleta desde 2010 teve a vaga em Paris oficializada pela confederação da modalidade
A atleta teve de amputar o braço direito em função de uma trombose provocada por injeção mal aplicada (Foto: Divulgação)

Agência GOV – A convocação oficial do tênis de mesa brasileiro para os Jogos Olímpicos de Paris, nesta terça-feira (04/06), referendou uma notícia inédita e aguardada por pelo menos duas décadas por uma catarinense de Criciúma. Aos 29 anos, Bruna Alexandre vai se tornar na França a primeira atleta paralímpica da história do esporte brasileiro a disputar uma edição de Jogos Olímpicos.

A esportista, que aos 6 meses de vida teve de amputar o braço direito em função de uma trombose provocada por injeção mal aplicada, tem uma consagrada carreira na classe 10 em Jogos Paralímpicos. Prata em Tóquio (2021) e bronze nos Jogos Rio 2016 no individual, tem ainda dois bronzes por equipes e frequenta com assiduidade o top 5 do mundo.

Para mim, é um significado muito grande, simbólico. É o campeonato mais importante, o maior do mundo. Desde pequena sempre tive esse sonho de disputar os Jogos Olímpicos, mas sabia que seria difícil. Achava que não ia conseguir. E, depois de 22 anos de treinos, hoje estou realizando um dos maiores sonhos da minha carreira”

Bruna Alexandre

Mas Bruna também tem amplo currículo entre os olímpicos. É bicampeã brasileira. Foi medalhista de bronze por equipes no Pan de Santiago, no Chile, ano passado, ao lado das irmãs Bruna e Giulia Takahashi. Na volta do evento, em que também foi a primeira brasileira paralímpica na história da vertente olímpica do torneio continental, foi recebida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto. É a atual número 173 do ranking mundial, mesmo não disputando exclusivamente a modalidade olímpica.

Seleto grupo

Em Paris, ela vai se juntar a um seletíssimo grupo de três atletas de todo o planeta que já disputaram Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Os outros dois são o sul-africano Oscar Pistorius, do atletismo, e a polonesa Natalia Partyka, tetracampeã paralímpica no individual do tênis de mesa (2004, 2008, 2012 e 2016). Ela já disputou três edições de Jogos Olímpicos pela seleção de seu país.

“Para mim, é um significado muito grande, simbólico. É o campeonato mais importante, o maior do mundo. É muito difícil conseguir. Desde pequena sempre tive esse sonho de disputar os Jogos Olímpicos, mas sabia que seria difícil. Achava que não ia conseguir. E, depois de 22 anos de treinos, hoje estou realizando um dos maiores sonhos da minha carreira”, disse Bruna.

Terceira colocada por equipes ao lado de Bruna nos Jogos Paralímpicos Rio 2016 e Tóquio 2021, Danielle Rauen define a conquista da parceira como um momento histórico para a modalidade e para o esporte adaptado brasileiro. “Ela já vinha almejando isso há anos e finalmente chegou o momento. Alegria dela, alegria nossa, do movimento paralímpico, de todo mundo que acompanha, que torce por ela. Mas acho que mais ainda por essa representatividade, né? A Bruna é a primeira atleta paralímpica a ser convocada para Jogos Olímpicos na história do Brasil. Isso carrega história, trabalho de alto rendimento no paralímpico, trabalho dela, dos técnicos”, listou Danielle.

A deficiência não define uma pessoa, e a presença da Bruna Alexandre no time olímpico é mais um contributo na nossa missão diária de reforçar o potencial da pessoa com deficiência. Temos certeza de que ela vai inspirar ainda mais pessoas com deficiência a conquistar autonomia e também a ser incluída na sociedade por intermédio do esporte”

Mizael Conrado, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro

Para Bruna, para além da excelência esportiva, a vaga em Paris mostra que uma pessoa com deficiência pode ter sonhos do tamanho que almejar construir dentro de suas potencialidades. “Essa conquista mostra que uma pessoa com deficiência consegue fazer tudo, independentemente de você não ter um braço, uma perna. Você consegue fazer tudo. Acho que isso pode motivar muitas pessoas. Quem sabe um dia isso seja algo encarado com a normalidade que deveria no nosso país e no mundo”.

“A deficiência não define uma pessoa, e a presença da Bruna Alexandre no time olímpico é mais um contributo na nossa missão diária de reforçar o potencial da pessoa com deficiência. Temos certeza de que ela vai inspirar ainda mais pessoas com deficiência a conquistar autonomia e também a ser incluída na sociedade por intermédio do esporte”, afirmou Mizael Conrado, bicampeão paralímpico de futebol de cegos (Atenas 2004 e Pequim 2008) e presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Com informações da assessoria