Ex-secretário da Sect, Braguinha é alvo de operação da PF por venda ilegal de crédito de carbono

Braguinha foi exonerado da Sect em dezembro do ano passado
Braguinha já ocupou cargos de secretário em vários governos (Foto: Divulgação)

Na manhã desta quarta-feira (05/06), a Polícia Federal deflagrou a Operação Greenwashing, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida na venda de aproximadamente R$ 180 milhões em créditos de carbono de áreas invadidas ilegalmente pertencentes à União. João Braga, mais conhecido como “Braguinha” e figura influente na política amazonense, é um dos alvos.

A operação está em andamento em várias regiões do Brasil, incluindo Manaus. Braguinha é ex-secretário de Estado das Cidades e Territórios (Sect) e da Superintendência de Habitação do Estado (Suhab) e mora em um condomínio de luxo na Bola das letras. Ele foi exonerado do cargo pelo governador Wilson Lima (União Brasil) em dezembro do ano passado.

Operação

A operação cumpre cinco mandados de prisão preventiva e 76 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Amazonas, abrangendo os estados de Rondônia, Amazonas, Mato Grosso, Paraná, Ceará e São Paulo.

Além dessas ações, a operação inclui o cumprimento de 108 medidas cautelares, oito suspensões de exercício da função pública, quatro suspensões de registro profissional no CREA, sete bloqueios de emissão de Documentos de Origem Florestal (DOF’s) e o sequestro de R$ 1,6 bilhão.

A operação conta com o apoio de várias entidades, incluindo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Receita Federal do Brasil (RFB), Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além de acadêmicos e profissionais de registro de imóveis.

Investigações

As investigações, que se estendem por mais de uma década, revelaram um esquema de fraudes fundiárias iniciado em Lábrea (AM), envolvendo a duplicação e falsificação de títulos de propriedade, resultando na apropriação ilegal de cerca de 538 mil hectares de terras públicas. Entre 2016 e 2018, a organização criminosa expandiu suas atividades, reutilizando títulos de propriedade e inserindo dados falsos no Sistema de Gestão Fundiária (SIGEF), com a colaboração de servidores públicos e responsáveis técnicos.

Entre 2016 e 2018, a organização criminosa expandiu suas atividades ilícitas, reutilizando títulos de propriedade e inserindo dados falsos no Sistema de Gestão Fundiária (SIGEF), com a colaboração de servidores públicos e responsáveis técnicos. Nos últimos três anos, uma nova expansão das atividades ilícitas do grupo ocorreu na região de Apuí e Novo Aripuanã, no interior do Amazonas.