Com risco de estiagem severa em 2024, Amazonas traça planos para enfrentar dificuldades

Neste ano, o Amazonas lidera em área total com seca até abril, registrando 100% de seca no território

Após a estiagem histórica de 2023, que reduziu e até impossibilitou a navegação em diferentes trechos de rios do Amazonas, instituições do estado já planejam soluções para enfrentar o problema e evitar o desabastecimento. Os prognósticos para 2024 indicam que a severidade poderá se repetir. 

Neste ano, os dados do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas (ANA) revelam que o Amazonas lidera em área total com seca até abril, registrando 100% de seca no território, seguido por Pará, Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás. O Norte teve a condição mais severa de seca em abril. A seca extrema atingiu apenas 2% da região e a grave, 20% de sua área total.

Os níveis dos rios em todas as calhas do estado estão abaixo do esperado, se comparado a anos anteriores. A preocupação com o desabastecimento e o fluxo de embarcações no período da estiagem fez com que o Grupo Chibatão, operador de um dos principais portos de Manaus, anunciasse planos para instalar um porto temporário na enseada do rio Madeira, Amazonas.

A iniciativa visa transferir cargas de navios para balsas, permitindo que estas levem os materiais até Manaus. Com isso, os navios, mais leves, também poderiam navegar até a cidade.

Os governos estadual e federal estão apostando na dragagem dos rios como uma medida crucial para manter a navegação durante o período de estiagem. No início do mês, o governador Wilson Lima (União Brasil) anunciou a emissão de licenças ambientais para a dragagem em quatro trechos de rios do Amazonas: Manaus-Itacoatiara (rio Madeira); Codajás-Coari e Benjamin Constant-São Paulo de Olivença (rio Amazonas) e Benjamin Constant-Tabatinga (rio Solimões).

O trabalho será feito pelo governo federal, por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), com previsão de início imediato a partir da emissão das licenças.

Segundo o secretário Executivo de Ações de Proteção e Defesa Civil do Amazonas, coronel Francisco Ferreira Máximo Filho, são pontos de atenção: o envio de ajuda humanitária, controle da elevação dos preços, acesso a água potável, desabastecimento de combustível e apagão de energia.

“Há uma probabilidade de ter uma estiagem, e temos o compromisso de levar recomendações necessárias para que a população possa estar preparada, tendo aí uma atenção especial para as pessoas que moram em área de risco e os mais vulneráveis. Temos que consumir de forma racional os recursos e evitar desperdícios”, disse.

A população pode se antecipar às consequências da estiagem fazendo estoque de água, alimentos e medicamentos para enfrentar o período crítico. O pico da vazante deve começar em outubro, no Rio Solimões, Negro e Amazonas.