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Portal Panorama Real traz, neste domingo (14/01), a primeira de uma série de entrevistas que pretende fazer ao longo do ano. A estreia é com o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva

Com mais de 30 anos de atuação na vida pública, o ex-vice-governador do Amazonas e atual superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa), Bosco Saraiva, 64 anos, tinha planos de entrar num “ano sabático” em 2023, ou seja, pretendia tirar um descanso da política e dos cargos públicos, uma vez que não obteve sucesso em se eleger deputado estadual nas eleições de 2022 . Porém, ele decidiu rever sua decisão após receber um convite, digamos assim, “irrecusável” – o de comandar a Suframa, uma das autarquias mais cobiçadas do Governo Federal.
A nomeação de Bosco Saraiva foi publicada no dia 25 de abril do ano passado. Porém, com apenas oito meses de atuação, sua administração já apresenta dados positivos. Um dos principais resultados mostra que o número empresas “suframadas”, ou seja, com cadastro na Suframa, subiu de 45 mil para 51 mil de maio a dezembro de 2023. “Esse número me animou muito”, diz ele.
Nascido em Manaus, Bosco Saraiva é mais conhecido por sua atuação na política, que lhe rendeu a oportunidade de exercer vários mandatos de vereador – foi inclusive presidente do Legislativo Municipal -, deputado estadual e federal, além de ocupar secretarias, ser vice-prefeito e até vice-governador. Ele atua, também, na área empresarial, e tem duas paixões típicas do brasileiro: Carnaval e futebol.
Para falar um pouco mais sobre sua trajetória, o Panorama Real convidou Bosco Saraiva para ser o primeiro entrevistado de uma série de entrevistas que o portal pretende presentear seus leitores ao longo de 2024. Leia abaixo:
Panorama Real: Qual é o balanço que o senhor faz desses meses que estás no comando da Suframa?
Bosco Saraiva: Esses meses foram altamente positivos. Chegamos no final de abril e começamos o trabalho a partir de maio no fogo do debate da reforma tributária. Havia ainda muitas incertezas, retenção de investimentos no polo industrial e nós partimos daquele momento com a premissa de fazermos um assessoramento à nossa bancada federal – senadores e deputados – em relação à reforma tributária a partir das opiniões contidas nos pareceres técnicos e nos bons economistas que tem a Suframa. Em seguida, partimos para a integração regional, com a Sudam, Suframa e o Basa, conseguindo integrar de forma bem regional mesmo. Integramos ações e visitas aos demais Estados cobertos pela Suframa – Rondônia, Roraima, Acre e Amapá -, levando as informações de incentivos, projetos e possibilidades de acesso a recursos de pesquisas, desenvolvimento e inovação. Essas ações resultaram em um dado bastante interessante. Quando a gente partiu, havia 45 mil empresas cadastradas na Suframa, as chamadas ‘empresas suframadas’. Somente com as nossas idas institucionais, sem nenhum projeto de mídia ou propaganda institucional, ou seja, apenas com a nossa presença, esse número elevou para 51 mil empresas cadastradas. Portanto, de maio a dezembro de 2023, foram cadastradas 6 mil empresas novas na Suframa com possibilidade de acesso aos incentivos fiscais oferecidos pela Zona Franca de Manaus (ZFM), tanto no Polo Industrial de Manaus quanto nas áreas de livre comércio, principalmente, nessas áreas de livre comércio. A presença da Suframa, com a sua diretoria e seus técnicos, reassistiu aqueles que sequer sabiam que poderiam ter acesso a esses incentivos fiscais. Esse número me animou muito, pois ele revela realmente os resultados das nossas idas aos Estado, que, neste ano, seguirá com uma sequência muito mais ativa. Agora em fevereiro, iremos retomar as visitas aos Estados.
Panorama Real: Com a aprovação da reforma tributária, já é possível perceber que há uma tranquilidade maior para as empresas investirem na ZFM?
Bosco Saraiva: Já, agora em janeiro deste ano, percebemos essa tranquilidade. Neste mês de janeiro, recebemos algumas empresas, como a Moura, que vai instalar a fábrica de baterias para carros aqui no Polo Industrial de Manaus. Esses investimentos, sem dúvida nenhuma, já são um resultado da aprovação da reforma tributária, que nos assegurou da melhor forma que podia. A coordenação do senador Omar Aziz a frente da bancada federal do Amazonas foi fundamental. Ele utilizou todo o seu prestígio junto ao Governo Federal e ao Congresso Nacional para que pudéssemos alcançar esse êxito de ter, agora, na Constituição, um texto que seria, normalmente, constante na lei secundária, não na lei constitucional, onde está a nossa garantia é na lei constitucional. Uma das grandes reclamações sobre o nosso modelo era sobre a tal da insegurança jurídica. Essa insegurança acabou. Agora, a segurança jurídica está no texto constitucional dizendo que, até 2073, o investidor terá o IPI da Zona Franca de Manaus. Ou seja, para os próximos 50 anos. E 50 anos é um período para uma empresa nascer, crescer, viver e morrer.
Panorama Real: Quantas fábricas têm hoje no PIM e quantos empregos elas geram?
Bosco Saraiva: O ano de 2023 fechou 586 empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus, que empregam 112 mil trabalhadores de forma direta.
Panorama Real: O governador Wilson Lima esteve, na semana passada, na China, em busca de investimentos para o Estado. Os chineses já demonstraram interesse em investir no Amazonas. Como estão os investimentos chineses na Zona Franca de Manaus?
Bosco Saraiva: Há 15 dias, recebi a embaixadora da China aqui na Suframa. Ou seja, a China já veio até a Suframa. E esse foi um dos motivos pelos quais não fui à China, embora eu tenha sido convidado pelo João Dória Junior, que organizou esse encontro da Lide em Shenzhen e Seul (capital da Coreia do Sul). Recebi o convite por meio do governador do Estado. Porém, a minha agenda não permitiu que eu saísse daqui por uma semana de Manaus. Além da embaixadora, receberemos um grupo grande de investidores e empresários chineses aqui em Manaus e, também, em Brasília, no primeiro semestre deste ano.

Panorama Real: Mudando da assunto, tens atuado na política ou estás focado somente na Suframa?
Bosco Saraiva: Atualmente, acumulo a presidência do Solidariedade, que incorporou o Pros. Desta forma, assumimos todos os quadros e problemas do Pros. Então, estamos coordenando essa questão e refazendo todos os diretórios nos municípios, uma vez que, em Manaus, o diretório já está restaurado visando as próximas eleições. Porém, estou somente na direção regional. Em relação as eleições deste ano, quem está tocando o assunto é o diretório municipal.
Panorama Real: E o Solidariedade já começou as articulações para as eleições deste ano? O partido pretende apoiar quem nas próximas eleições para prefeito em Manaus?
Bosco Saraiva: A princípio, esta questão está sendo trabalhada de forma independente para o fortalecimento do partido. Ainda não há conversas sobre apoio. Só a partir de março, quando termina o prazo de filiações partidárias, que começarão essas conversas.
Panorama Real: Depois da Suframa, o Bosco Saraiva vai voltar para a política partidária? Quais são os seus projetos?
Bosco Saraiva: Serei ‘Uber de neto’ (risadas). Meu projeto é esse. Tentei fazer de 2023 o meu ano sabático, entre outras coisas, tentei me livrar dos meus livros antigos e renovar minha biblioteca, mas não deu. Ou seja, tentei organizar a vida pessoal, mas não deu.
Panorama Real: Sempre fostes identificado com o Carnaval e o samba. Fale um pouco sobre essa relação, que, também, ajudou a alavancar sua carreira na política.
Bosco Saraiva: Eu cresci dentro da cultura popular. Meus amigos da época do ‘partidão’ estavam todos lá. Eu, João Thomé, Guto, Mariolino, Lino Chíxaro, Celso, Aníbal Beça, Machadão. Então, toda aquela turma do qual eu fiz parte, estava lá com os ‘comunistas das antigas’, e meu ingresso na escola de samba se dá no meio dos anos 1970. Depois, houve a fundação do Reino Unido da Liberdade, dentro do meu bairro, que engradeceu também a luta política. A escola já nasceu como um bloco carnavalesco de massa, que tinha um apelo comunitário muito forte. Depois, quando ela se transformou em uma escola de samba em 1986, a gente seguiu tocando para a frente o movimento cultural. A escola de samba Reino Unido da Liberdade, ela foi muito além do Carnaval. Ela fez poetas, músicos, políticos etc. Fiquei como dirigente desde a sua fundação. Hoje, participo indiretamente. Como dirigente deixei de participar efetivamente desde 2007. O Carnaval e o samba estiveram presentes para massificar o meu nome e estabelecer relações pessoais com muita gente. Inclusive, minha relação de amizade e irmandade com o senador Omar Aziz começou a partir do Carnaval. O Omar é do meu período de Mocidade, mas ele foi fazer, na época, política estudantil na UA (atual Ufam). Eu já sai para o bairro para fazer política comunitária. Ele trabalhou na política estudantil e eu, na política comunitária. Depois, nos encontramos, pessoalmente, para fazermos política cultural, ele, na Aparecida, e eu, na Escola do Morro, na Reino Unido, e depois entramos na política nos anos de 1990 e estamos juntos até hoje.
Panorama Real: Para finalizar, não poderíamos deixar de falar sobre outra paixão sua, que é o futebol, principalmente, o Botafogo, que deixou escapar o título do Brasileirão no ano passado. Como é essa relação com o time?
Bosco Saraiva: Sempre fui botafoguense. Eu gosto de usar a camisa do Botafogo quando ele está por baixo. Enquanto todo mundo estava na euforia com o time como estavam no ano passado, eu tiro a camisa do Botafogo e visto a camisa branca. O Botafogo, junto com o Vasco, era um dos clubes cariocas que estava seguindo o caminho, por exemplo, do América e do São Cristóvão, mas conseguiu se modernizar. O time conseguiu sair do fundo do poço com a nova regra que eu ajudei a votar, diga-se de passagem, que foi a SAF, pois eu estava no Congresso Nacional quando o Rodrigo Maia, que é botafoguense também, resolveu colocar na pauta o projeto da SAF. Aí veio esse grupo empresarial importante para o Botafogo, que fez um projeto gradativo de renovação e que deu um resultado mais rápido do que eu esperava. Todo mundo se assustou com a queda do Botafogo no segundo turno, mas eu não me assustei porque esse projeto era para vingar dentro de cinco anos.