Eduardo Braga assume Orçamento de 2027 em meio à disputa pelo comando do Senado

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) terá papel estratégico nas articulações políticas do Congresso Nacional em 2027. Escolhido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para relatar o Orçamento da União do próximo ano, o parlamentar amazonense assume uma das funções mais importantes da agenda legislativa em um momento de disputa pelo comando da Casa e de reorganização das forças partidárias após as eleições de outubro.

O anúncio foi feito na terça-feira (03/11), durante reunião de líderes partidários. A indicação mantém o MDB à frente da relatoria, conforme acordo político anterior, e reforça a participação de Braga nas negociações que envolvem governo federal, lideranças partidárias e a presidência do Senado.

A escolha também ocorre em um contexto de aproximação entre Braga e Alcolumbre. Líder do MDB na Casa, o senador amazonense já manifestou apoio à tentativa do presidente do Senado de conquistar mais um mandato, cuja eleição está prevista para fevereiro de 2027.

A relatoria do Orçamento amplia o espaço de atuação de Braga justamente quando Alcolumbre busca consolidar apoios para permanecer no comando do Legislativo. A função permite ao senador participar diretamente das negociações sobre a distribuição dos recursos federais, incluindo investimentos, despesas e emendas parlamentares.

PL amplia força e movimenta disputa

O cenário, entretanto, apresenta um novo componente de pressão política: o crescimento do PL. A partir de fevereiro de 2027, o partido terá 29 das 81 cadeiras do Senado, tornando-se a maior bancada da Casa. A legenda trabalha para lançar o senador Rogério Marinho (PL-RN) na disputa pela presidência, em oposição à candidatura de Alcolumbre à reeleição.

A nova composição altera a correlação de forças no Congresso e aumenta a importância das negociações entre partidos. Embora o tamanho da bancada represente influência na definição das pautas e dos cargos, a eleição para a presidência exige articulação para conquistar votos de diferentes siglas.

Nesse contexto, a escolha de Braga também revela a importância do MDB nas negociações. Mesmo com uma bancada menor, de oito senadores projetados para a próxima legislatura, o partido mantém participação em posições estratégicas da estrutura legislativa.

Antes da definição, aliados de Alcolumbre chegaram a considerar o nome do senador Eduardo Gomes (PL-TO), atual vice-presidente do Senado, para a relatoria. A possibilidade sinalizava uma tentativa de aproximação com o partido que terá a maior representação na Casa. A escolha de Braga, contudo, manteve o acordo com o MDB.

Orçamento coloca Braga no centro das negociações

Além do peso político, a missão de Braga envolve a condução de uma proposta que definirá as prioridades financeiras do governo federal em 2027. O projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) estima receitas e fixa despesas da União para áreas como saúde, educação, segurança, infraestrutura e programas sociais.

A proposta enviada pelo governo Lula ao Congresso prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões e salário mínimo de R$ 1.741. O texto ainda deverá passar por ajustes durante a tramitação legislativa, incluindo a acomodação de medidas anunciadas pelo governo antes das eleições.

O projeto será analisado pela Comissão Mista de Orçamento (CMO), onde Braga coordenará a discussão das emendas e a negociação do relatório final. Antes da votação da LOA, o Congresso precisa aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que estabelece as metas e prioridades para a elaboração das contas públicas.

O calendário é apertado. A expectativa anunciada pela liderança do governo no Senado é concluir a votação até dezembro. A experiência recente, porém, demonstra que a falta de acordo pode comprometer os prazos: o Orçamento de 2025, por exemplo, só foi aprovado em março daquele ano.

Para o Amazonas, a relatoria também abre espaço para que demandas estaduais entrem nas discussões sobre investimentos federais. A capacidade de transformar essa posição em recursos dependerá das negociações com o Executivo e das prioridades aprovadas pelo Congresso.

Assim, Braga chega a 2027 acumulando duas frentes de atuação política: a articulação dentro do Senado e a condução de uma das principais peças financeiras do governo federal.

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