Eduardo Pazuello é investigado pela morte de 31 pessoas por falta de oxigênio em Manaus

O sistema de saúde do Amazonas colapsou em janeiro de 2021 e muitos manauaras compraram oxigênio para levar aos hospitais
Pazuello teve uma gestão desastrosa no Ministério da Saúde durante a pandemia (Foto: Divulgação)

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o deputado federal bolsonarista Eduardo Pazuello (PL-RJ), ex-ministro da Saúde, seja investigado pela morte de 31 pessoas por falta de oxigênio em hospitais de Manaus durante a pandemia da Covid.

O sistema de saúde do Amazonas colapsou em janeiro de 2021 e muitos manauaras tiveram que comprar oxigênio para levar aos hospitais, que ficaram sem abastecimento do produto pelo governo federal. As primeiras mortes foram registradas no dia 14 de janeiro daquele ano.

Mendes é relator do caso que apura a negligência de Jair Bolsonaro e aliados durante a pandemia da Covid, que matou mais de 700 mil brasileiros.

A CPI da Covid no Senado Federal apontou que a gestão de Eduardo Pazuello, então chefe do Ministério da Saúde, soube antecipadamente do “iminente colapso do sistema de saúde” do estado do Amazonas dias antes.

Nos últimos dias, os membros da CPI da Covid procuraram o atual procurador-geral da República, Paulo Gonet, para retomar as investigações enterradas durante a gestão de Augusto Aras. O senador Omar Aziz (PSD-AM), que exerceu a presidência da comissão, afirmou que novos fatos justificam a reabertura dos inquéritos.

Falta de justiça

Após 3 anos, a maioria das famílias de vítimas da crise de oxigênio em Manaus ainda aguarda por Justiça. Em dezembro do ano passado, a Justiça Federal sentenciou a União, o Estado do Amazonas e o município de Manaus a indenizarem em R$ 1,4 milhão uma família de uma vítima fatal da covid-19, cujo quadro foi comprovadamente agravado pela falta de oxigênio.

De acordo com a sentença, Leoneth Cavalcante de Santiago deu entrada no hospital Platão Araújo, na zona Leste de Manaus, no dia 04 de janeiro de 2021. Ela tinha sintomas de covid-19 e foi diagnosticada com “estado crítico” da doença logo em seguida. Onze dias depois, Leoneth morreu em decorrência da demora no atendimento médico adequado, bem como asfixia em razão da falta de oxigênio no Estado.