Eneva anuncia novos campos de exploração de gás no Amazonas

Anúncio de comercialidade dos campos de Tambaqui e Azulão Oeste acontece após a empresa registrar queda no montante de gás para a Bacia do Amazonas em 2023
Governador Wilson Lima destaca investimentos e empregos que serão gerados com os novos campos de exploração de gás anunciados pela Eneva (Foto: Anwar Assi/Portal Panorama Real)

Após registrar queda no montante de gás provado e previsto (o chamado 2P no jargão do setor) para a Bacia do Amazonas, em 2023, e ter desempenho negativo de suas ações no Ibovespa – com recuo de quase 4% nesta semana, a Eneva reagiu e anunciou a comercialidade de dois novos campos de exploração no Estado, batizados de Tambaqui e Azulão Oeste, nos municípios de Silves e Itapiranga (a 240 e 227 quilômetros de Manaus, respectivamente),

O anúncio formal foi feito pela concessionária à Agência Nacional do Petróleo (ANP), na quinta-feira (15/02). Na prática, a medida significa que a empresa concluiu a fase de exploração e, agora, dará o início a fase de desenvolvimento da produção nas áreas anunciadas.

Com o anúncio das Declarações de Comercialidade, a Eneva tem, agora, um prazo de seis meses, ou seja, até agosto deste ano, para apresentar à ANP os Planos de Desenvolvimento dos campos, que detalham as atividades a serem realizadas para monetizar as descobertas comerciais. “O potencial de exploração dos dois campos será avaliado dentro do Plano de Desenvolvimento a ser entregue à ANP. Temos um prazo de 180 dias para fazer essa entrega”, declarou o diretor de Exploração, Reservatório e Tecnologias de Baixo Carbono da Eneva, Frederico Miranda, ao portal Panorama Real.

Além dos campos de Tambaqui e Azulão Oeste, a Eneva já explora comercialmente o campo de Azulão, também, no município de Silves.

Queda na bolsa

No último dia 14 de fevereiro, as ações da Eneva (ENEV3) figuraram entre as maiores perdas do Ibovespa naquele dia, com os papéis da empresa encerrando em queda de 3,82%, sendo negociadas a R$ 12,34.

Desempenho em 2023

Relatório anual divulgado, na quinta-feira (15/02), pela Eneva, mostra que houve, em 2023, uma queda no montante de gás provado e previsto para a Bacia do Amazonas. 

Elaborado pela consultoria independente Gaffney, Cline & Associates (GCA), o documento revela que, no Amazonas, o volume caiu de 14,4 bilhões de metros cúbicos, em 2022, para 10 bilhões de metros cúbicos no documento referente ao ano passado.

Porém, as reservas da Eneva ficaram praticamente estáveis, em 2023, porque a queda no Amazonas foi compensada por um aumento semelhante na Bacia do Parnaíba, no Maranhão, onde outro campo novo foi declarado comercial também, com o volume saindo de 33 bilhões de metros cúbicos, em 2022, para 37,6 bilhões no ano passado.

Eneva tem operações de exploração de gás em vários Estados do Brasil (Foto: Divulgação/Eneva)

Capacidade

Conforme os dados apresentados pela Eneva à ANP, em sua Declaração de Comercialidade, o Campo de Tambaqui foi declarado comercial após a perfuração de quatro poços. A estimativa total de gas-in-place (VGIP) varia de 1,6 Bm3 a 5,7 Bm3 e o total bruto de óleo e condensado varia de 8,8 MMBls a 18,9 MMBls.

Já o Campo de Azulão Oeste foi declarado comercial após a perfuração de seis poços. A estimativa de gas-in-place (VGIP) da acumulação varia de 1,4 Bm3 a 6,1 Bm3.

Empregos

Aproximadamente 6 mil empregos diretos e indiretos deverão ser criados com as obras do complexo Azulão 950, no município de Silves (a 240 quilômetros de Manaus), que receberá investimentos de R$ 5,8 bilhões. A informação foi divulgada, nesta sexta-feira (16/02), pela Eneva, empresa que detém a concessão de exploração de gás natural no Amazonas, durante evento que anunciou a comercialidade de dois novos campos no Estado – o de Tambaqui e de Azulão Leste.

De acordo com a empresa, 1 mil empregos serão ofertados apenas com as campanhas sísmicas de investigação subterrânea dos novos campos, que receberá aporte de até R$ 350 milhões. Outros 5 mil empregos diretos e indiretos deverão ser gerados com o auge das obras do complexo Azulão 950, que é formado por duas usinas em construção, com investimento privado de R$ 5,8 bilhões.

Presente no evento da Eneva, o governador Wilson Lima, lembrou que, desde a quebra do monopólio do mercado de gás no Amazonas, em 2021, o setor ganhou competitividade e tem atraído novos investimentos no Estado.

“O anúncio que a Eneva dá é resultado de todo o esforço que vem sendo feito para que a gente possa efetivamente ter uma matriz econômica segura”, afirmou o governador. “Quando a gente fala em geração de emprego, a gente não está falando apenas desses empregos que estão sendo gerados direta e indiretamente por esse empreendimento, mas tem aqueles empregos que são induzidos”, completou.

Potencial do Amazonas

De acordo com Wilson Lima, a ANP reconhece o Amazonas como o Estado que possui a maior reserva de gás em terra do país, com aproximadamente 40 bilhões de metros cúbicos de poços já provados, com potencial para alcançar 100 bilhões de metros cúbicos.

O governador destacou, também, o avanço da utilização do gás natural em residências, indústrias e veículos, superando mais de 17,4 mil unidades consumidoras (UC’s) contratadas; seis postos de combustíveis em operação com gás natural veicular (GNV); e a rede de distribuição de gás natural (RDGN), que já possui 281 quilômetros de extensão, abrangendo mais de 20 bairros da capital.

Além de Wilson Lima, participaram do evento de anúncio de novos investimentos no setor de gás natural, o vice-governador Tadeu de Souza; o deputado estadual Sinésio Campos, que preside a Comissão de Geodiversidade, Recursos Hídricos, Minas, Gás, Energia e Saneamento da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam); o diretor de Exploração da Eneva, Frederico Miranda; e secretários estaduais como o de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Serafim Corrêa; de Meio Ambiente (Sema), Eduardo Taveira; e de Energia, Mineração e Gás (Semig), Rooney Peixoto.

“O que o governador Wilson Lima fez hoje declarando a comercialidade, junto com a Eneva, é consolidar essa alternativa econômica ao Polo Industrial de Manaus. Então, nós temos hoje um gás natural como um processo, uma construção de uma alternativa econômica para o estado, além de contribuir para a sustentabilidade, pois o gás é um dos elementos para a transição energética”, afirmou o secretário da Semig, Ronney Peixoto.

Secretários e parlamentares do Amazonas prestigiaram evento da Eneva (Foto: Anwar Assi/Portal Panorama Real)

Eneva

Maior operadora privada de gás natural em terra brasileira e empresa integrada de energia, a Eneva já opera no campo do Azulão, em Silves, onde o gás natural extraído é liquefeito e levado em carretas criogênicas até Boa Vista (RR), onde é responsável por 70% do abastecimento da única capital não interligada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) por meio da termelétrica Jaguatirica II.

O Projeto Azulão 950 consiste na instalação de duas usinas termelétricas (UTEs) a gás natural em Silves, utilizando combustível da Bacia do Amazonas. Com capacidade instalada de 950 MW e escoamento a ser feito pelo SIN, a energia gerada será suficiente para abastecer mais de 3,7 milhões de residências em todo o Brasil, a partir do final de 2026.

Com os novos campos, firma-se o marco da primeira descoberta comercial de petróleo e gás natural no Estado nos últimos 20 anos, já que a última vez que isso aconteceu foi em 2004, quando a Petrobras declarou comercialidade do Campo de Azulão.

“É contribuir com o desenvolvimento socioeconômico de uma região tão rica, que finalmente começa a ter sua própria voz, e trazer o desenvolvimento socioeconômico para as regiões mais pobres do país, como a gente fez no Maranhão há mais de 15 anos. A gente vem replicar essa história de desenvolvimento social com a gestão do gás natural para uma transição energética limpa, segura e, acima de tudo, garantir a segurança energética do Brasil”, disse o diretor Frederico Miranda.

A Declaração de Comercialidade é uma notificação feita pelo concessionário (neste caso, a Eneva) à ANP anunciando a condição comercial de uma ou mais jazidas descobertas na área de concessão ou partilha, e, em consequência, confirmando a intenção de desenvolvê-la. O ato formal e obrigatório marca o fim da fase de exploração e o início da fase de desenvolvimento da produção de uma área.

Com a colaboração da assessoria de imprensa