Estudantes vão às ruas contra o corte do Passe Livre Estudantil em Manaus

Convocada pela UESA, mobilização em frente à sede do Governo cobra garantias para a continuidade do Passe Livre e repudia jogo de empurra com o Sinetram

A indignação de milhares de jovens e famílias amazonenses vai ganhar as ruas da capital nesta quarta-feira (04/11). Diante da ameaça real de ficarem sem transporte para frequentar as salas de aula, a União dos Estudantes Secundaristas do Amazonas (UESA) realiza, a partir das 10h, uma grande manifestação em frente à sede do Governo do Estado, na Zona Oeste de Manaus.

O protesto é uma resposta direta ao anúncio da suspensão temporária do recarregamento de novos créditos do Passe Livre Estudantil, benefício vital para a permanência dos alunos na rede pública. A entidade estima que a medida da patronal do transporte pode prejudicar mais de 180 mil estudantes no Estado.

Nas redes sociais e nos grêmios estudantis, o clima é de revolta contra o risco de os alunos serem usados como reféns no embate entre o poder público e as empresas de ônibus.

“O Governo do Amazonas e a SEDUC precisam dar explicações! A falta de pagamento ao sistema de transporte não pode ser colocada nas costas dos estudantes. O Passe Livre não é favor, é uma conquista histórica do movimento estudantil e não vamos aceitar que a conta da má gestão caia nas costas de quem precisa estudar. Querem cortar nosso Passe Livre? Vão encontrar estudantes nas ruas!”

— diz o manifesto da União dos Estudantes Secundaristas do Amazonas (UESA).

Publicação de convocação feita pela Uesa para a manifestação nesta quarta (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
O jogo de empurra e as divergências milionárias

Enquanto quem precisa estudar teme não ter como se deslocar até a escola, a crise é alimentada por um cabo de guerra financeiro e jurídico que se arrasta entre as partes:

O lado do Sinetram: O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros alegou que o sistema opera no limite e que não possui fluxo de caixa para honrar despesas básicas — como a folha de pagamento e o 13º salário dos rodoviários — sem a antecipação dos repasses de novembro e dezembro. A entidade cobra um débito total acumulado que ultrapassa R$ 279 milhões (somando pendências de 2025 e 2026), valor recalculado após decisão judicial que fixou o ressarcimento da passagem com base na tarifa técnica (R$ 9,30).

O lado do Governo do Estado: O Executivo estadual contestou veementemente a cobrança e a paralisação das recargas. A gestão garante que os pagamentos do ano de 2026 estão rigorosamente em dia, somando R$ 27 milhões já repassados ao setor só este ano — sendo R$ 3 milhões liberados no último dia 23 de outubro. O governo alega que a cobrança do sindicato envolve valores contestados de 2025 que ainda estão em disputa judicial, classificando o bloqueio do benefício aos alunos como uma atitude irresponsável e politiqueira.

Prejuízo imediato no cotidiano escolar

Apesar de o Sinetram informar que os alunos ainda conseguem utilizar os saldos remanescentes nos cartões de passagem, a interrupção no recarregamento deixa as famílias em sobressalto na reta final do ano letivo. Para os estudantes e lideranças do movimento, o direito fundamental à educação não pode estar condicionado ao desfecho de disputas operacionais do transporte.

A mobilização desta quarta-feira pretende pressionar a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e o Governo a apresentar garantias imediatas de que nenhum estudante terá o seu direito ao transporte barrado nas catracas da capital.

add_action('wp_footer', function() { ?>