Extrativistas do rio Manicoré denunciam desmatamento acelerado

Em 2022, foi registrada a queima de quase 3 mil hectares no mesmo local

Um desmatamento de grandes proporções foi registrado ao redor de cachoeiras do rio Manicoré, numa região conhecida como Tracajá e Miriti, e denunciado por extrativistas que atuam na região. A situação é antiga, mas há, pelo menos um mês e meio, os grileiros retornaram à área e iniciaram o desmate.

Uma carta-denúncia sobre essa situação foi encaminhada pela Central das Associações Agroextrativistas do Rio Manicoré (Caarim) para o Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual (MPE-AM), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Procuradoria Geral do Estado do Amazonas (PGE-AM), Secretaria de Meio Ambiente do estado do Amazonas (Sema) e Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

Em 2022, foi registrada a queima de quase 3 mil hectares no mesmo local. Extrativistas denunciaram que grileiros de terra estão retornando mais equipados e mais armados. Segundo eles, neste mês, uma balsa com quatro tratores e escavadeiras embarcadas chegou a subir e descer o rio, levando desmatadores e equipamentos para completar um serviço que começou meses atrás. 

De 12 a 23 de março, a balsa esteve numa área de desmatamento. Segundo os extrativistas, o objetivo maior da atividade é a extração de madeira e criação de gado no local. 

O Ibama afirmou que recebeu a denúncia e monitora o caso desde a Operação Controle Remoto, onde realizou embargo em uma área de 2.500 hectares. 

Desmatamento em Manicoré

Manicoré foi o quarto município no ranking de queimadas em 2023, com  1.183 focos de calor. Ficou atrás somente de Lábrea (1º lugar, com 2.421), Apuí (2º lugar, com 2.131) e Novo Aripuanã (3º lugar, com 1.735), conforme o BD queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

De acordo com dados pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Manicoré é uma das cidades onde mais cresce o desmatamento no sul do Amazonas.

Sul do AM

O sul do Amazonas é considerado a última fronteira do desmatamento, e os conflitos só tendem a aumentar nos próximos meses. A região é responsável por grande parte da fumaça que cobriu Manaus por três meses seguidos e é de onde são parte dos criminosos do atual desmatamento.