Fechamento de refinaria compromete segurança energética e eleva preço de combustíveis, diz Sindipetro-AM

Grupo Atem tem planos de parar unidades de processamento para transformar a refinaria em um terminal de apoio logístico, segundo os trabalhadores do setor

Representantes do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM) têm manifestado preocupação com o futuro da Refinaria da Amazônia (Ream), em Manaus. Segundo eles, além de praticar o preço mais caro dos combustíveis no Brasil, o grupo Atem – que administra o local desde que foi privatizado no final do governo Jair Bolsonaro, – tem planos para a interrupção permanente das operações de refino, transformando-o em apenas um terminal de apoio logístico, segundo os trabalhadores.

Em publicação feita em uma rede social, o Sindipetro alertou que a medida compromete a segurança energética na Região Norte e pode aumentar abusivamente os preços de combustíveis, além de gerar demissões em massa.

“No momento em que a refinaria deixou de ser Petrobras e passou ser Grupo Atem, o que ele aunciou para a sociedade amazonense? Olha o preço da Petrobras é isso, mas nós aqui vamos seguir o PPI. Nós vamos seguir o preço de paridade de importação. Hoje ela tem essa dinâmica de não acompanhar a Petrobras, já que agora a refinaria pertence a um grupo privado”, disse o presidente do Sindipetro no Amazonas, Marcus Ribeiro.

Conforme o dirigente sindical, o grupo está parando as unidades de processamento para transformar a refinaria em um terminal de apoio logístico. Essa transição representaria uma ameaça significativa, já que a refinaria desempenha um papel crucial no abastecimento regional.

“É vergonhoso, tanto para a Petrobras quanto para o Governo Federal, a maior região do país não ter uma refinaria. O Grupo Atem é um grupo realmente ganancioso, é um grupo que visa somente o lucro. Essa decisão não apenas compromete a segurança energética da região, mas também pode resultar em aumentos constantes nos preços dos combustíveis”, declarou Marcus Ribeiro.

Preços dos combustíveis subiram

Ele destacou, ainda, que a Petrobras é uma empresa estatal que atua de forma integrada em todo país e fornecia combustíveis à Região Norte a preços compatíveis com os da média nacional pois tinha estrutura e dever público de fazê-lo. Desde a privatização da Ream – no final do governo Bolsonaro, em 2022 -, os preços dos combustíveis em Manaus, onde, por exemplo, o litro da gasolina custa em média R$ 6,29, e no interior do Amazonas, tiveram aumentos substanciais.

O Panorama Real entrou em contato com o Grupo Atem sobre as denúncias do Sindipetro, mas não obteve resposta da empresa até a publicação da matéria.