Família de Julieta Hernández vai à Aleam pedir requalificação de crime para feminicídio

A manifestação tem articulação local da deputada estadual Alessandra Campelo (Podemos)
Julieta foi morta no interior do Amazonas (Foto: Reprodução)

Reclassificar o crime cometido contra a venezuelana Julieta Hernández como feminicídio. Esse é objetivo da mobilização que acontece esta semana no Amazonas, encabeçada pela família da artista morta em Presidente Figueiredo com requintes de crueldade. A irmã dela, Sophia Hernández, falará na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nesta terça-feira (11/06).

“O problema que temos agora é que o caso não está sendo considerado como feminicídio. Ela foi violada, torturada e sequer foi enterrada pelo casal. Colocaram ela a cinco metros de onde ela foi morta. Os advogados dizem de forma concreta que essas questões qualificam o crime de feminicídio”, disse Sophia.

A manifestação tem articulação local da deputada estadual Alessandra Campelo (Podemos). O pronunciamento da irmã da artista está agendado para acontecer às 10h. Ele irá se manifestar publicamente sobre o caso e explicar sobre a luta por justiça da família e do movimento de mulheres.

Na condição de Procuradora Especial da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Alessandra Campelo foi procurada pelos familiares da vítima, movimentos sociais, rede de proteção e Ministério das Mulheres para coordenar e articular as diversas ações no estado. Visitas institucionais (Tribunal de Justiça do Amazonas, Delegacia Geral, Defensoria Pública do Estado, OAB-AM), cessão de tempo e atos públicos estão previstos nas atividades (confirma a programação completa abaixo).

“Estamos unidos – família da vítima, Procuradoria da Mulher da ALEAM, UBM, Cedim, Ministério das Mulheres, órgãos da rede de proteção – no objetivo principal de sensibilizar a Polícia Civil, o Ministério Público e a Justiça para que o crime cometido contra a Julieta Hernández seja reclassificado como feminicídio”, explicou a deputada Alessandra Campelo.


Reunião no TJAM

na manhã desta segunda-feira (10/06), entidades se reuniram no Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM) para discutir a requalificação do crime. Com a presença do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio da ouvidora-geral, a procuradora de Justiça Jussara Maria Pordeus e Silva, o encontro teve representantes do Ministério das Mulheres, da União Brasileira de Mulheres, da Procuradoria Especial da Mulher da Aleam, familiares e advogados do caso.

Para a ouvidora-geral do MPAM e a Ouvidoria da Mulher do MPAM, a reunião foi de suma importância, pois o caso de Julieta é paradigmático.

“Nos faz refletir sobre outros casos de violência contra a mulher. A adoção da perspectiva de gênero é dever não somente do Poder Judiciário, mas de todas as funções essenciais da justiça e da sociedade civil”, afirmou a procuradora de Justiça Jussara Pordeus.

Durante a reunião, a ouvidora-geral do MPAM solicitou que a secretária nacional do Ministério das Mulheres, Denise Motta Dau, encaminhasse nota técnica sobre o caso à Ouvidoria da Mulher do MPAM, para que as manifestações sobre as motivações de gênero do caso fossem devidamente encaminhadas à Promotoria da Comarca de Presidente Figueiredo.

Reunião foi realizada na sede do TJAM (Foto: Divulgação MP-AM)

Entenda o caso

Conhecida como “Palhaça Jujuba” no mundo artístico, Julieta Hernández foi morta enquanto viajava pelo Brasil de bicicleta. Ela estava a caminho de seu país de origem quando desapareceu no dia 23 de dezembro, no município de Presidente Figueiredo (a 108 quilômetros de Manaus). A próxima parada seria em Rorainópolis, em Roraima.

No dia 6 de janeiro deste ano, seu corpo foi encontrado dentro de uma mata. De acordo com as investigações, a artista foi estuprada, assassinada e teve seu corpo queimado por um casal, que confessou o crime.

Em nota publicada na última semana, o Ministério das Mulheres manifestou “apoio à ação articulada pela União Brasileira de Mulheres (UBM) e os familiares de Julieta Hernández para que o crime seja reconhecido como feminicídio”.

Em janeiro, o Ministério Público do Estado do Amazonas denunciou os acusados Thiago Angles da Silva e Deliomara dos Anjos Santos pelos crimes de estupro, latrocínio (roubo seguido de morte) e ocultação cadáver. Agora, a família de Hernández pede a mudança da tipificação dos crimes.

Com informações da assessoria