Justiça concede medidas protetivas a Alessandra Campelo após ameaças de Salazar e Kidson

Políticos do PL não podem se aproximar da deputada estadual e nem portar armas

Deputada recebeu ameaças de Salazar e Kidson (Foto: Divulgação)

A Justiça Eleitoral concedeu medidas protetivas à deputada estadual e candidata a vice-governadora do Amazonas, Alessandra Campelo (PSD), por conta das ameaças do vereador Sargento Salazar e do ex-PM Kidson Maia, ambos do PL, após um debate em uma emissora de TV local. A decisão foi assinada na quarta-feira (14/10) pela juíza eleitoral Bárbara Folhadela Paulain, mas só foi divulgada nesta quinta-feira (15/10).

Conforme as medidas protetivas determinadas pela Justiça Eleitoral, Salazar e Kidson Maia devem manter distância mínima de 200 metros de Alessandra Campelo. Eles também estão proibidos de manter contato com a candidata por qualquer meio, incluindo telefone, e-mail, aplicativos de mensagens e redes sociais.

A decisão também impede que os dois frequentem ou permaneçam nos bastidores e nas áreas reservadas às comitivas em debates, atos e eventos dos quais Alessandra participe. A presença deles em áreas de acesso público é permitida, desde que as demais restrições sejam respeitadas. A juíza também determinou a suspensão da posse e a restrição do porte de armas de fogo por parte dos dois políticos do PL.

Veja outras medidas determinadas pela Justiça Eleitoral:

  • TV Norte Amazonas deve preservar e apresentar, no prazo de 48 horas, a gravação integral do debate, imagens brutas relacionadas ao episódio, registros do circuito interno de segurança e informações sobre o credenciamento;
  • A empresa responsável pelo Instagram no Brasil deve preservar e apresentar as publicações relacionadas ao caso indicadas no processo, incluindo conteúdos que tenham sido removidos;
  • A Polícia Militar do Amazonas, a Polícia Federal (PF) e o Comando do Exército deverão informar à Justiça sobre a existência de armas registradas em nome dos dois noticiados e eventuais autorizações de porte;
  • Ministério Público Eleitoral foi solicitado a adotar as providências que considerar cabíveis;
  • As medidas protetivas permanecem em vigor enquanto persistir a situação de risco que justificou a decisão. Salazar e Kidson Maia foram notificados para cumprir as determinações, sob pena de responderem por eventual descumprimento.

Para Alessandra Campelo, “ameaças, intimidações e gestos de violência não podem ser tratados como brincadeira ou algo comum”. “Procurei as autoridades, denunciei os fatos e confiei na Justiça. Mais do que uma decisão relacionada à minha proteção individual, considero que este episódio deve cumprir um papel pedagógico diante de uma realidade violenta que atinge milhares de mulheres todos os dias. Nenhuma mulher deve aceitar a violência ou a intimidação em silêncio, independentemente de quem seja o agressor ou do espaço que ocupe. Continuarei exercendo minhas funções, participando da campanha e defendendo aquilo em que acredito. Divergências políticas fazem parte da democracia. Ameaças e intimidação, não!”, disse a deputada estadual em nota divulgada à imprensa.

Entenda o caso
Salazar e Kidson fizeram gesto de “cortar o pescoço” para Alessandra Campelo (Foto: Reprodução vídeo)

Logo após o final do debate promovido pela TV Norte na última terça-feira (13/10), entre os candidatos ao Governo do Estado que estão no segundo turno, Salazar e Kidson Maia fizeram um gesto de “cortar o pescoço” em direção a Alessandra Campelo, que foi interpretado como uma ameaça de morte para a parlamentar, conhecida pelo combate à violência contra as mulheres.

A ameaça gerou polêmica e críticas aos políticos bolsonaristas. O senador Omar Aziz chegou a gravar um vídeo ao lado de Alessandra Campelo para se solidarizar com sua candidata a vice. Várias entidades de defesa dos direitos das mulheres, políticos e a sociedade em geral divulgaram nota de apoio a Alessandra Campelo.

“As pessoas que estavam acompanhando minha adversária passaram o debate provocando, fazendo gestos e no final fizeram um gesto que sinaliza ameaça a uma mulher [Alessandra Campelo]. E eu reagi e reagiria em qualquer momento que visse um homem ameaçar de matar uma mulher. Isso não se faz, nunca vi isso em campanha, olha que já participei de muitas”, afirmou Omar Aziz. Ele destacou ainda que “se essa é a política nova que querem implantar no nosso estado, isso não tá correto”, completou o senador.

Salazar foi o deputado federal mais votado nas eleições deste ano no Amazonas. Já o ex-PM Kidson Maia ficou como primeiro suplente de deputado estadual pelo PL na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam).

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