Negociações de cessar-fogo devem recomeçar domingo, mas Netanyahu já autorizou ataque em Rafah

Na proposta, o Hamas pedia o cessar-fogo imediato e definitivo e o envio de ajuda humanitária aos palestinos, que teriam o direito de retornar às suas casas

Brasil de Fato – Uma fonte afirmou à agência Reuters que as negociações para um acordo de cessar-fogo em Gaza devem recomeçar neste domingo (17/03). O encontro deve acontecer em Doha, capital do Catar, e envolver autoridades cataris e egípcias como mediadoras.

Na última sexta-feira (15/03), Israel rejeitou uma proposta de cessar-fogo apresentada pelo Hamas, que previa a troca de 700 a 1.000 prisioneiros palestinos e a libertação de reféns israelenses, sequestrados nos ataques de 7 de outubro do ano passado.

Na proposta, o Hamas pedia o cessar-fogo imediato e definitivo e o envio de ajuda humanitária aos palestinos, que teriam o direito de retornar às suas casas. O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificou as demandas do Hamas como “irrealistas”, mas confirmou a ida de uma delegação ao Catar para nova rodada de negociações.

Também na sexta-feira, o governo israelense confirmou que Netanyahu autorizou as Forças de Defesa de Israel (FDI) a atacarem Rafah, no sul da Faixa de Gaza região fronteiriça com o Egito onde cerca de 1,5 milhão de palestinos se refugiam da guerra.

Dessa forma, Netanyahu contraria o apelo de liderança mundiais, que temem um massacre de civis na região. O porta-voz de segurança nacional da Casa Branca, John Kirby, informou que os EUA ainda não conhecem o plano de ataque a Rafah, mas que pedirão os documentos a Israel.

Com a Faixa de Gaza devastada após cinco meses de guerra, Rafah se tornou um refúgio para palestinos que sobreviveram aos constantes ataques de Israel. Na região, de acordo com a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA, na sigla em inglês), há escassez de alimento, água e remédios.

A capacidade de aniquilação do ataque a Rafah é desconhecida, pois Israel não revelou os detalhes da operação. Mas entidades de direitos humanos alertam para a falta de defesa e reação dos palestinos que estão acampados por toda a área.