‘O Museu da Cidade de Manaus é o mais visitado do Amazonas’, diz o diretor Leonardo Novellino

A entrevista deste domingo (17/03) é com o artista Leonardo Novellino, que fala sobre o Museu da Cidade de Manaus, um dos mais importantes do Estado, e sua paixão pela cultura e
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Nascido em uma família tradicional do comércio da capital amazonense, que era proprietária da famosa joalheria “Ouro e Hora”, na rua Joaquim Sarmento, no Centro, o atual diretor do Museu da Cidade de Manaus, Leonardo Grangeiro Novellino, 51 anos, preferiu não seguir a profissão dos pais, pois tinha um outro propósito, que era é de se dedicar a área cultural do Estado. Ele até chegou a se formar em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mas a paixão pela cultura “falou” mais forte.

Com pós-graduação pela London Metropolitan University, maior universidade metropolitana da grande Londres, lá ele obteve o diploma de Master em Artes (MA), que o permitiu aperfeiçoar seus conhecimentos na área de administração de patrimônio e museus. Ele ainda atua como ator e faz parte do grupo teatral Metamorfose, que completará 31 anos de existência neste ano.

A influência pelas artes veio do pai, o empresário italiano Stefano Novellino, que, embora fosse um ourives conhecido em Manaus, ele era, também, um entusiasta pela cultura, sendo um dos membros do famoso Clube da Madrugada, movimento artístico fundado em 1954, que reunia jovens intelectuais da capital amazonense. “Então, essa inclinação cultural começa com o meu pai”, diz Leonado.

Para falar um pouco sobre cultura e os desafios de dirigir um dos principais museus da capital amazonense e do Estado, o portal Panorama Real publica, neste domingo (17/03), entrevista com o diretor do Museu da Cidade de Manaus, Leonardo Grangeiro Novellino. Confira abaixo:

Panorama Real: Você vem de uma família tradicional que atuou no comércio na área de joias em Manaus. Por que você não quis seguir nesse ramo e entrou para a área cultural?

Leonardo Novellino: Na verdade, fui influenciado pelo meu pai, que foi um dos fundadores do Clube da Madrugada. Eu aprendi a amar a Língua Portuguesa com um gringo, que era o meu pai, um italiano. Como amazônida e fundador do Clube da Madrugada, meu pai fazia ler poesias dos contemporâneos dele, como o Jorge Tufic, Moacir de Andrade, Thiago de Mello e outros intelectuais da época. Então, essa inclinação cultural começa com o meu pai.

Panorama Real: Como começou sua relação com o Museu da Cidade de Manaus, um dos principais da capital e do Estado?

Leonardo Novellino: Eu assumi como diretor há três anos. Porém, antes, já havia trabalhado como relações públicas. Neste período, tive a alegria de trabalhar com o grande artista Oscar Ramos, diretor premiado de cinema e de TV de reconhecimento nacional e internacional, que foi curador do museu.

Panorama Real: Como está hoje a visitação do Museu da Cidade de Manaus?

Leonardo Novellino: É algo para soltar fogos e comemorar. Sendo um museu do norte do Brasil, hoje o Museu da Cidade de Manaus é o mais visitado do Estado do Amazonas e da capital amazonense

Panorama Real: Qual é o perfil do público que visita o museu?

Leonardo Novellino: O público é diversificado. Por exemplo, em fevereiro, abrimos a exposição do fotógrafo libanês Jacques Menassa para atender a um público estrangeiro que visita o Brasil no Carnaval e que quer conhecer a Amazônia. Neste sentido, nada melhor que uma exposição internacional, que fez muito sucesso. Em março, começou o período letivo. Então, temos muitos agendamentos da Semed, Seduc e das universidades como Ufam, UEA e de outros institutos de ensino superior.

Panorama Real: Quais os tipos de exposições que são trabalhadas no Museu da Cidade de Manaus?

Leonardo Novellino: Tem as exposições temporárias, as de longa duração e as permanentes. Nas exposições temporárias, por exemplo, temos atualmente, desde fevereiro deste ano até o mês deste mês de março, uma exposição de um grande artista internacional, Jacques Menassa, que traz lembranças, saudades e memórias. Jacques Menassa é um fotógrafo libanês que, no período da covid, ele se defendeu com a arte de colagem, a arte digital. E como ele não podia visitar Manaus, na época da covid, então ele vai lembrar dos libaneses ilustres que conheceu e ajudaram no desenvolvimento da região amazônica nesta exposição. Já nas exposições de longa duração, tem várias, como a “Afluentes do Tempo”, “Casas-Cabeças”, “Mercado”, “Carpoteca e Herbário”, “Rios Voadores”, “Thiago de Mello”, entre outras. E temos as exposições permanentes, que é a “Sala dos Prefeitos”, com a biografia dos prefeitos (de Manaus), e a sala de “Arqueologia”.

Panorama Real: Além do Museu da Cidade de Manaus, sua presença na área cultural se dá também como ator, como membro do conhecido grupo artístico Metamorfose. Podes falar um pouco sobre essa experiência?

Leonardo Novellino: Apesar de não ser fundador, participei dos projetos mais icônicos do Metamorfose e que, por acaso, são ligados a memória. O Metamorfose foi o projeto cultural mais longevo do período do ex-governador Amazonino Mendes. Contávamos a história do teatro através do próprio teatro. Então, dávamos vida, por exemplo, ao ex-governador Eduardo Gonçalves Ribeiro, aos serviçais do teatro, aos fantasmas do teatro de uma forma lúdica, pedagógica e espirituosa. Portanto, o Metamorfose é um grupo de repertório. Eu comecei a fazer parte nos anos de 1990. Então, fiz muito o príncipe da Branca de Neve, o príncipe da Ariel, príncipe da Cinderela etc. Hoje em dia, por causa da idade, já faço o rei (risos).

Panorama Real: Para finalizar, qual é a importância do teatro na sua vida?

Leonardo Novellino: Não abro mão desse trabalho (teatral), porque o teatro é vida e me agrada a questão da memória e o teatro é um recurso maravilhoso para essa finalidade.