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Quando o problema é em Manaus, Amom Mandel faz duras críticas à gestão municipal, mas se cala quando o assunto aperta o seu "calcanhar de Aquiles"

De olho na Prefeitura de Manaus, o deputado federal Amom Mandel (Cidadania), que é pré-candidato, tem sido oportunista e ampliado os ataques contra o seu principal alvo: o prefeito David Almeida (Avante). A mais recente investida tem a ver com o não pagamento do abono do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
Na semana passada, o parlamentar chegou a publicar um vídeo nas redes sociais para pedir satisfação sobre o não pagamento do abono do Fundeb para os educadores do Município.
Na quarta-feira (20/12), David Almeida disse que todos os recursos foram utilizados para pagar os custos com recursos humanos e despesas operacionais das escolas municipais, não sobrando nada em caixa para bonificar os profissionais da Educação.
“Infelizmente, pela primeira vez, acontece isso: receber menos recursos no ano posterior do que o ano anterior e isso fez com que impactasse muito as nossas finanças. Nosso compromisso é pagar data base no momento certo, no momento adequado.”, disse David.
O anúncio de David Almeida foi um “prato cheio” para Amom, que figura entre os pré-candidatos à Prefeitura de Manaus. Inclusive, ele já aparece como segundo colocado nas pesquisas de intenções de voto divulgadas por veículos de imprensa da cidade.
“O prefeito David veio dizer que não tem dinheiro para pagar o Fundeb dos professores. Aonde é que foi parar essa verba federal? Como deputado federal, eu vou fiscalizar isso com pente fino em todas as prefeituras e em todos os governos. Tem dinheiro para pintar a cidade, para fazer show internacional, para pagar o salário da irmã na prefeitura, mas não tem para os professores?”, questionou o parlamentar.
Apesar de ser deputado federal, Amom Mandel tem atuado como se ainda fosse vereador da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Ele criticou David Almeida por confirmar o não pagamento do famoso 14º salário dos profissionais da Educação, mas não citou, em nenhum momento, o governador do Amazonas Wilson Lima – que ficou em cima do muro ao ser questionado sobre o benefício.
Na semana passada, durante uma entrevista a uma rádio local, Lima disse que não sabe se dará o benefício aos educadores, tendo em vista, que o Estado passa por dificuldades orçamentárias e os recursos do Fundeb diminuíram consideravelmente este ano. Ele postergou o anúncio se vai ou não dar o abono do Fundeb para janeiro, alegando que precisa fechar o ano no “azul” para ver se sobra alguma coisa na conta do fundo para bonificar os profissionais.
Ao Panorama Real, o cientista político Helso Ribeiro fez uma avaliação macro sobre a “enxurrada” de ataques que o atual prefeito, que tenta a reeleição no ano que vem, vai sofrer dos adversários.
“A campanha para o ano que vem já começou e quem está na cadeira, que é o prefeito David Almeida, vai receber mais torpedos, mais tiros. Então, sendo assim, todos os possíveis candidatos vão atacá-lo. Em relação ao Fundeb realmente houve uma diminuição de cerca de 3%, mas, como no ano passado os profissionais da Educação receberam o que chamamos de 14º salário polpudo, é claro que a galera quer o abono, e é evidente que, como ele declarou que não tem como pagar, isso não causa simpatia dos professores. Eu diria que todos que não marcham ao lado do prefeito vão criticá-lo por causa disso”, destacou.
Conforme o especialista, nos próximos meses os manauaras vão ver esse tipo de ataque a David Almeida cada vez mais presente por quem pode vir a ser um dos seus principais oponentes na eleição de 2024.
“Todos devem seguir a mesma linha de atacar o prefeito. Alguns vão receber um eco maior porque tem uma visibilidade grande”, disse Helso Ribeiro.
Quando o problema é em Manaus, Amom Mandel sabe se posicionar e fazer duras críticas à gestão municipal. Ele adota essa postura desde quando assumiu o seu primeiro cargo público, na CMM. No entanto, ele parece se calar quando o assunto aperta o seu “calcanhar de Aquiles”.
Essa semana, o portal Panorama Real tentou repercutir sobre a medida do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) de conceder bônus extras de R$ 15 mil para servidores e magistrados num momento que a pobreza tem crescido entre a população do Amazonas com o deputado Amom, mas ele preferiu se esquivar e não quis se pronunciar sobre o assunto.
A postura omissa de Amom Mandel frente ao questionamento teria a ver com o fato dele ser filho da juíza Elza Pereira de Mello e neto do desembargador Domingos Chalub, ambos do TJAM.
Inclusive, no último dia 19 de dezembro, ele foi agraciado pelo órgão com a “Medalha da Ordem do Mérito Judiciário 2023” – que homenageou personalidades que se destacaram por sua atuação nas atividades relacionadas ao sistema de justiça neste ano.