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A operação ocorre um dia após Maria do Carmo publicar um vídeo nas redes sociais em que afirmou estar “esperando a polícia”

Um aparato de dez agentes da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) cumpriu mandado de busca e apreensão na residência da empresária Maria do Carmo (PL), na manhã desta sexta-feira (06/11), no conjunto Vieiralves, bairro Nossa Senhora das Graças, zona Centro-Sul de Manaus. A ação, comandada pelo delegado Marcelo Martins, resultou na apreensão do celular e do computador pessoal da ex-candidata ao Governo do Estado.
A medida integra o inquérito que apura a manipulação e o disparo de mídias atacando a filha menor de idade do governador eleito Omar Aziz (PSD).
Quando os investigadores chegaram ao imóvel, por volta das 5h30, Maria do Carmo não estava no local. A ausência ocorreu mesmo após a empresária ter gravado um vídeo na véspera afirmando que “esperava a polícia em casa”. A ex-candidata chegou 40 minutos depois, vinda de outro endereço em um carro particular, acompanhada de advogados. A Polícia Civil investiga se houve vazamento prévio de informações sigilosas para favorecer a investigada antes da chegada das viaturas.
A equipe policial enfrentou resistência para cumprir a ordem judicial autorizada pelo desembargador Paulo Feitoza, que revogou a liminar anterior da defesa.
“Foi uma diligência difícil. Nós encontramos alguma resistência durante a execução do mandado, na medida que tivemos algumas discussões sobre alguns temas técnicos, jurídicos, sobre o alcance do mandado. Mas a gente conseguiu cumprir a ordem judicial. Fizemos a apreensão do aparelho celular da Maria do Carmo e do computador pessoal dela. Esse material vai ser extraído os dados desses dispositivos e nós vamos fazer a análise desse material para tentar avaliar a participação dela nesse crime”, explicou o delegado Marcelo Martins.
Inicialmente, os advogados de Maria do Carmo conseguiram uma liminar para suspender o mandado, alegando colaboração espontânea com as autoridades. No entanto, a estratégia ruiu quando o desembargador Paulo Feitoza, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), cassou a decisão favorável sob o entendimento de que a medida cautelar era indispensável para preservar provas digitais que poderiam ser alteradas ou apagadas, restabelecendo a ordem de busca e apreensão que culminou na operação.
A busca e apreensão é desdobramento de uma ofensiva que já vasculhou endereços de outros dois alvos centrais do grupo: o jornalista Jefferson Coronel, no Residencial Bellagio, em Manaus, e o publicitário George Wilde, marqueteiro da chapa, em São Paulo. A Polícia Civil confirmou que a materialidade da infração ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) está configurada.
“Vale destacar que já foi constatada a violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente, agora é entender a participação de cada pessoa dentro desse cenário. A prática de crime nesse caso já está configurada. O que falta agora ser mais aprofundado é o nível de participação de cada um dos investigados”, destacou Martins.
O delegado titular do inquérito classificou a exposição da adolescente como ato deliberado de violência digital: “Trata-se da ação de uma mente perversa, que utilizou as redes sociais para violar a intimidade e a dignidade de uma adolescente com objetivos escusos”, declarou.
A defesa de Maria do Carmo argumentou em nota que a operação representa “perseguição política” e ingressou com pedido de habeas corpus preventivo no Tribunal de Justiça do Amazonas para tentar evitar eventual ordem de prisão. Os equipamentos apreendidos seguem para perícia técnica e extração de dados.
“A assessoria jurídica da Professora Maria do Carmo (PL) manifesta indignação com a operação de busca e apreensão realizada nesta sexta-feira (06/11), na residência da ex-candidata ao Governo do Amazonas. Apesar de ser esperada, a defesa denuncia a condução dos procedimentos, que evidenciam uma escalada de perseguição política e levanta graves questionamentos sobre abuso de autoridade.
Os advogados apontam que garantias legais e prerrogativas da advocacia não foram devidamente respeitadas durante a diligência. A defesa considera inaceitável que direitos fundamentais sejam colocados em segundo plano e afirma que não aceitará qualquer tentativa de constrangimento ou intimidação por meio de procedimentos que desrespeitem a legislação.
Desde o resultado das eleições, a ex-candidata foi alvo de acusações e tem tido sua imagem exposta de forma deliberada por conta de uma denúncia envolvendo a filha do governador eleito Omar Aziz (PSD), fato que já foi publicamente negado. Chama atenção que um processo que corre em segredo de justiça, a todo momento tem notícias veiculadas pela imprensa local com vazamento de informações.
No todo decorrer da investigação, a Professora Maria sempre se colocou à disposição para colaborar com a justiça e apontar os verdadeiros responsáveis por qualquer atitude que tenha ferido os direitos das partes envolvidas. O que não se pode aceitar é o uso politiqueiro da situação para ferir a honra da ex-candidata.
É fundamental destacar que o cumprimento de uma ordem judicial não concede às autoridades autorização para ultrapassar os limites da lei.
A Professora Maria do Carmo permanece tranquila, confiante em sua inocência e convicta de que a verdade prevalecerá. Em vídeo publicado na última quinta (05/11), a ex-candidata já havia afirmado que aguardava a diligência e estava preparada para o que viesse.
“Estou aqui para colaborar e acredito que a Justiça dos homens será feita, porque a Justiça de Deus não falha. O fogo, quando não tem palha, não espalha”, afirmou.“