Sétimo depoimento de Mauro Cid à PF por ato golpista durou nove horas

Nos três primeiros depoimentos, Cid ficou em silêncio, mas passou a falar após fechar um acordo de delação

Brasil de Fato – O depoimento à Polícia Federal (PF) do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), o tenente-coronel Mauro Cid, durou mais de nove horas. A oitiva começou por volta das 15h desta segunda-feira (11/03), e o militar só foi liberado na madrugada desta terça (12/03), perto da meia-noite e quinze.

Esse é o sétimo depoimento de Mauro Cid à PF. Nos três primeiros, entre maio e junho do ano passado, o ex-faz-tudo de Bolsonaro ficou em silêncio. Mas no fim do ano passado, um acordo de delação premiada foi fechado e Cid começou a falar.

O processo de homologação do acordo foi finalizado no dia 9 de setembro pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Cid estava preso desde maio do ano passado por suspeita de fraude em cartões de vacinação, e deixou a prisão após a homologação da delação premiada. 

Nos depoimentos anteriores, Mauro Cid não disse que o ex-presidente participou ativamente dos planos golpistas. A informação, no entanto, foi levantada pela PF durante as investigações e confirmada pelos depoimentos do ex-comandante da Aeronáutica tenente-brigadeiro, Carlos de Almeida Baptista Júnior, e do ex-comandante do Exército general, Marco Antônio Freire Gomes. 

O ex-chefe do Exército teria dito em depoimento à PF que Bolsonaro foi o responsável pela convocação da reunião com ministros para discutir um plano golpista, em 5 de julho de 2022. Bolsonaro também teria sido um dos responsáveis pela manutenção dos acampamentos golpistas em Brasília, segundo apuração da Folha de S. Paulo. 

No vídeo de mais de 1h30 de duração da reunião, estão presentes vários ministros do então governo que ouvem Bolsonaro repetir fake news sobre o funcionamento das urnas e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atacar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenar a eles que repitam as informações distorcidas e sugerir até a redação de uma nota conjunta entre os ministérios para afirmar que seria impossível atestar a lisura das eleições. 

“Olhem pra minha cara, por favor. Todo mundo olhou pra minha cara? Acho que não tem bobo aqui. Pô, mais claro do que tá aí? Mais claro… impossível! Eu acredito que essa proposta de cada um da Comissão de Transparência Eleitoral tem que… quem responde pela CGU vai, quem responde pelas Forças Armadas aqui… é botar algo escrito, tá? Pedir à OAB. Vai dar… a OAB vai dar credibilidade pra gente, tá? Polícia Federal… dizer… que até o presen… uma nota conjunta com vocês, com vocês todos… topam… que até o presente momento dadas as condições de… de… se definir a lisura das eleições são simplesmente impossíveis de ser atingidas. E o pessoal assina embaixo”, afirmou o então presidente.