Visita de Biden a Manaus traz poucos resultados para a Amazônia

Biden falou com representantes indígenas quando teve no Musa (Foto: Divulgação)

A vinda do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a Manaus, foi considerada histórica. Porém, na prática, a visita dele não empolgou a população local e tão pouco trouxe anúncios efetivos para o desenvolvimento da região.

Algumas pessoas se reuniram para ver o presidente norte-americano chegar a Manaus. Parte delas estava interessada em ver as aeronaves que trouxe a comitiva de Biden. Grupos também se reuniram em protesto para denunciar a política ambiental dos Estados Unidos e o apoio político e militar do governo Biden ao genocídio que Israel comete na Palestina, que já matou e feriu mais de 140 mil pessoas em um pouco mais de um ano.

No entanto, nas ruas não se viu aglomeração em pontos estratégicos por onde a comitiva passou ou qualquer tipo de empolgação dos manauaras.

No Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, Biden foi recebido pelo governador do Amazonas, Wilson Lima, e o prefeito de Manaus, David Almeida. Ele ainda recebeu a embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Elizabeth Frawley Bagley e o cientista brasileiro Carlos Nobre.

Seca e desmatamento

O presidente norte-americano sobrevoou a região de helicóptero e discursou à imprensa no Museu da Amazônia (Musa). Além de funcionários do governo dos Estados Unidos, ele foi acompanhado por cientistas e algumas lideranças indígenas brasileiras, com as quais posou para fotos.

No voo que durou 35 minutos, no entorno de Manaus, Biden e a comitiva viram os efeitos da seca severa que atinge o Estado, o Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões, o avanço do desmatamento e áreas da floresta tomadas pelo fogo.

Biden sobrevoou a região em um helicóptero dos Estados Unidos, modelo Marine One, e foi seguido por outras seis aeronaves. Junto ao presidente norte-americano estava o cientista e pesquisador brasileiro, Carlos Nobre, e o conselheiro para o clima dos Estados Unidos, John Podesta.

Carlos Nobre é um dos pesquisadores do bioma mais conhecidos no mundo. Ele fez parte da equipe que realizou o quatro relatório de avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, que recebeu o Nobel da Paz em 2007.

Em entrevista a um veículo nacional, o brasileiro disse que ele, Biden e Podesta viram um incêndio bem no meio da floresta. “Não era uma pastagem, era no meio da floresta. Alguém botou fogo ali”, relatou.

Biden também teria ficado impressionado com a seca dos rios. Na região próximo ao Encontro das Águas, vários barcos e navios ficaram presos em barrancos de terra com a estiagem. O rio Negro segue em níveis críticos apesar da água ter voltado a subir.

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Antes de chegar a Manaus, Biden anunciou um novo aporte de US$ 50 milhões para o Fundo Amazônia. Os Estados Unidos aumentaram o seu financiamento climático internacional para US$ 11 bilhões por ano.

Já em Manaus, Biden acrescentou mais R$ 500 milhões para o Fundo Amazônia, totalizando US$ 100 milhões. O recurso ainda está sujeito a notificação do Congresso, e tem como objetivo acelerar os esforços globais para conservar terras e águas, proteger a biodiversidade e enfrentar a crise climática. No entanto, a iniciativa tímida desagradou os indígenas e ambientalistas que esperavam mais do visitante.

“A luta contra a mudança climática vem sendo a causa da minha presidência. Não é preciso escolher entre economia e meio ambiente. Nós podemos fazer as duas coisas. Estou saindo da presidência em janeiro e vou deixar ao meu sucessor uma base muito forte, se eles decidirem seguir esse caminho. Alguns podem negar ou atrasar a revolução de energia limpa que vem acontecendo nos EUA, mas ninguém pode revertê-la. Muitas vezes foi dito que a Amazônia é o pulmão do mundo. Mas, a meu ver, nossas florestas e maravilhas são o coração e a alma do mundo”.

Em visita ao Museu da Amazônia (Musa), ele assinou uma proclamação estabelecendo a data de 17 de novembro como o Dia Internacional da Conservação. Durante a visita ao espaço verde, Biden foi acompanhado pelo diretor-geral da entidade, Filippo Stampanoni, pelo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique dos Santos Pereira, pela pesquisadora Camila Ribas e pelo CEO da Staturp Mombak, Peter Fernandez.

Indígenas insatisfeitos

Durante a visita, que prometia ser uma grande oportunidade de encontro entre representantes indígenas e o presidente norte-americano, foi um fiasco. Poucos indígenas puderam ter a oportunidade de se aproximar de Biden. Em público foram vistos apenas Altaci Kokama, que é pesquisadora amazonense com atuação no Instituto de Letras da Universidade de Brasília, e Kelliane Wapichana, chefe da Secretaria do Movimento de Mulheres Índígenas de Roraima, que participaram da solenidade no Musa.

Antes mesmo de desembarcar na capital do Amazonas, Biden não era bem-vindo por parte dos representantes indígenas. Ao Panorama Real, Vanda Witoto disse que a viagem representaria pouco para a floresta e para quem vive nela.

“Como um presidente que financia a exploração de petróleo e o genocídio da Palestina, que são nossos parentes originários, vem falar em defesa da vida dos povos indígenas e da Amazônia? Ele não é bem-vindo em nosso território e nunca fez nada pelos indígenas do Brasil”, declarou a liderança indígena um dia antes da visita.

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