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O governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), causou revolta, neste sábado (03/01), ao publicar uma postagem em suas redes sociais para defender as agressões cometidas pelos Estados Unidos contra a Venezuela, que foram amplamente condenadas pelo governo brasileiro e por vários países do mundo, incluindo aliados dos norte-americanos como a União Europeia.
Diversos internautas reagiram a nota e lembraram que foi por ordem do presidente Nicolás Maduro que a Venezuela enviou oxigênio para ajudar a população de Manaus que, naquela época, em janeiro de 2021, morria asfixiada durante a pandemia da covid-19 diante da falta de ação do governo do então presidente Jair Bolsonaro e da gestão do próprio Wilson Lima, que foi acusado de corrupção e virou réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por fraude na compra de respiradores.
Em sua postagem, Wilson Lima ignorou a violação das leis internacionais cometida pelo governo de Donald Trump – que realizou vários bombardeios contra o território venezuelano e sequestrou o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores -. e disse que essas agressões ilegais levam a Venezuela a viver “um momento de esperança diante das ações dos EUA em responsabilizar um regime que, há anos, oprime seu povo”.
O político bolsonarista ainda desejou que as ações dos Estados Unidos possam levar os venezuelanos a “viver em uma democracia com liberdade, respeito aos direitos humanos e prosperidade”, ignorando que o governo Trump já avisou que os norte-americanos é que irão governar agora a Venezuela. Wilson Lima ignorou também que os Estados Unidos são os maiores violadores de direitos humanos do mundo, patrocinam ditaduras e já derrubaram vários governos eleitos democraticamente.

Internautas reagem
A postagem de Wilson Lima visa “lacrar” com os bolsonaristas e ganhar o apoio dos extremistas de direita para seu projeto de eleição para o Senado em 2026. Mesmo assim, a nota gerou indignação de vários internautas que lembraram do apoio da Venezuela durante a crise da falta de oxigênio em Manaus, no mês de janeiro de 2021, em plena pandemia da covid-19.
“Lamentável você apoiar bombardeio contra o país que nos ajudou a respirar quando os seus amiguinhos nos impunham o terror do oxigênio”, disse o advogado Marcelo Amil.

Em outra postagem, o internauta de nome Carlos escreveu o seguinte: “Concordo qd diz q é um regime ditatorial, mas não esqueçamos que foi esse governo que ajudou com oxigênio pra Manaus na época do segundo pico da COVID 19, enquanto o governo federal da época negligenciava e o governo local comprava respiradores em lojas de vinho !!”
Um terceiro internauta, Airton Guimarães, também reagiu a postagem de Wilson Lima de forma negativa e fez uma crítica. “Vou pedir ao Trump que resolva a falta de professor na UEA (Universidade do Estado do Amazonas)…. Talvez ele resolva o que o governador não consiga….”, disse em tom de ironia.
Em janeiro de 2021, o presidente Nicolás Maduro, ordenou o envio de caminhões com cilindros de oxigênio da Venezuela para Manaus, capital do Amazonas, como parte da ajuda ao povo amazonense que sofria com a falta de oxigênio causada pela má gestão do Governo Federal, na época sob o comando do ex-presidente Jair Bolsonaro, e do governo do Amazonas, administrado por Wilson Lima.
De acordo com estimativas do Sindicato dos Médicos do Amazonas, quase 60 pessoas morreram por asfixia apenas no dia 14 de janeiro daquele ano. O Panorama Real publicou matéria com as famílias das vítimas mortas durante a crise de oxigênio em Manaus e que ainda aguardam reparação na Justiça.
No dia do colapso, amazonenses peregrinavam pela capital tentando recarregar os cilindros de oxigênio para mantê-las vivas. Nos dias seguintes, os hospitais colapsaram. Até uma unidade de recém-nascidos sofria com a falta de oxigênio.