Empresário amazonense sobrevive a ataque de Israel na Cisjordânia

Sami Mamoun Amwas, 29 anos, escapou de ser assassinado depois que soldados da ocupação militar israelense atacaram a cidade palestina de Bani Naim

Após ataque israelense, chão do coffee shop ficou com marcas de sangue dos feridos palestinos (Foto: Divulgação)

O empresário amazonense, Sami Mamoun Amwas, 29 anos, escapou por pouco de ser assassinado por Israel, nesta segunda-feira (04/12), depois que soldados israelenses invadiram a cidade palestina de Bani Naim, na Cisjordânia, onde vive atualmente.

Em entrevista exclusiva ao portal Panorama Real, Sami informou que estava em um café da região, jogando baralho com seus primos, quando, por volta das 21h30 na hora local (15h30 horário de Manaus), os militares israelenses invadiram o território palestino e começaram a atirar indiscriminadamente, atingindo o coffee shop onde eles estavam.  

Ao menos duas pessoas ficaram feridas, entre elas, uma criança de 9 anos que foi alvejada com um tiro. A outra vítima foi um rapaz que foi baleado no peito e teve que ser levado às pressas para um hospital da região. O amazonense escapou ileso.

“Estou ainda nervoso com o que ocorreu. Não fizemos nada para sermos atacados. Eu estava num coffee shop jogando baralho com meus primos em uma mesa perto da porta, quando ouvimos um barulho. No primeiro momento, não sabíamos que eram tiros. Foi quando vimos uma criança de 9 anos ferida correndo para dentro da cafeteria. Um primo meu tirou a blusa para tentar estancar o sangue dele. A sorte que tem um hospital perto e o garoto foi levado para lá. Trancamos a porta da cafeteria para nos protegermos. Enquanto estávamos lá, escutamos barulho de tiros e bombas de gás e, depois que parou, fomos avisados que os soldados israelenses haviam saído da rua. Neste momento, aproveitamos para sair do local. Depois que cheguei em casa, ainda escutei por quase meia hora o barulho dos tiros e das bombas de gás”, relatou o empresário.

Criança de 9 anos ficou ferida no ataque israelense (Foto: Divulgação)

Ainda segundo ele, antes de invadirem Bani Naim, as tropas de ocupação israelense já tinham entrado em outra cidade da Cisjordânia, onde assassinaram dois cidadãos palestinos.

Preocupação

O pai de Sami, o empresário Mamoun Amwas, 57 anos, afirmou que ficou preocupado com o ataque que quase vitimou o filho dele. Ele destacou, ainda, que tem estado apreensivo diante do aumento das agressões que Israel tem cometido contra os palestinos de todos os territórios do país árabe, que sofre uma ocupação ilegal há mais de 75 anos.

“Nossa preocupação só aumenta, pois sabemos que depois da Faixa de Gaza, Israel vai fazer o mesmo contra a Cisjordânia. Essa preocupação se torna maior por causa do apoio cego dado a Israel pelos Estados Unidos e por países como Reino Unidos, França e Alemanha. Não é um apoio equilibrado. Esse conflito nunca vai acabar se não houver o fim da ocupação israelense e a criação de um Estado palestino independente. A solução está no cumprimento das resoluções da ONU. É cada um viver em seus respectivos países como vizinhos”, pontuou o empresário, que atua no ramo de confecções e de shoppings centers em Manaus.

Noivado

Sami Mamoun contou à reportagem que está há seis meses na Palestina, para onde viajou com o intuito de casar. Ele está noivo de uma moça atualmente e seu casamento está previsto para o ano que vem.

Apesar do susto, ele não pretende deixar a Palestina. “Primeiro quero casar. Só volto ao Brasil com a minha futura esposa”, declarou o amazonense.

Empresário Sami Amwas mora atualmente na Cisjordânia, na Palestina (Foto: Arquivo Pessoal)

Bani Naim

Situada no distrito de Hebron (Al-Khalil, em árabe), na Cisjordânia, Bani Naim fica a 8 quilômetros a leste da cidade que leva também o nome de Hebron (a 30 quilômetros de distância de Jerusalém). A população local é de, aproximadamente, 25 mil habitantes.

Bani Naim não está ocupada diretamente por soldados israelenses, porém, a cidade está sitiada e, constantemente, é invadida pelas tropas da ocupação de Israel.

“A cidade tem quatro entradas, porém, três delas estão bloqueadas pelos israelenses, que, nas barreiras militares, assediam a população, mexem no celular das pessoas. Ninguém pode falar sobre a guerra, que é preso. A única via que restou não é boa”, relatou o amazonense ao se referir sobre a realidade diária da ocupação israelense em territórios palestinos.

Amazonas

Bani Naim tem uma relação forte com o Amazonas, uma vez que a maioria da colônia palestina do Estado tem origem nessa cidade. A comunidade palestina local, em especial a de Manaus, tem contribuído com o desenvolvimento econômico da região.

“Bani Naim é uma cidade amazonense, mas do que palestina. Quanto o atual embaixador brasileiro tomou posse na Palestina, depois de Ramallah, a primeira cidade que ele visitou foi Bani Naim, pois tem muitos brasileiros lá. Todos os palestinos que estão em Manaus possuem familiares na Cisjordânia. Estamos bastantes preocupados com a situação”, declarou Mamoun Amwas, que, também, é presidente da Sociedade Árabe Palestina do Amazonas.

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