Ex-secretários de Wilson Lima são alvos de operação da PF que combate corrupção eleitoral em Parintins

Policiais federais cumprem mandados de busca e apreensão no Amazonas (Foto: Divulgação/PF)

A Polícia Federal (PF) realiza cinco mandados de busca e apreensão, em Manaus, capital do Amazonas, como parte da operação “Tupinambarana Liberta”, deflagrada, nesta quinta-feira (03/10), para combater crimes de associação criminosa, corrupção eleitoral, abolição do estado democrático de direito, utilização de violência para obter votos e impedir o exercício de propaganda eleitoral. Segundo informou a PF por meio de nota à imprensa, as ações estão focadas em locais relacionados as pessoas envolvidas em um esquema para interferir nas eleições de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus). 

Conforme denúncia enviada a PF, secretários do governo Wilson Lima e policiais militares do Amazonas foram flagrados em um vídeo articulando uma série de ações para supostamente interferir nas eleições em Parintins com o intuito de beneficiar a candidata Brena Dianná (União Brasil), apoiada pelo atual governador do Estado.

Nas gravações é possível identificar o presidente da Cosama, Armando do Vale; o secretário de Cultura, Marcos Apolo Muniz; o secretário de Administração, Fabrício Barbosa; o comandante do 11º Batalhão da Polícia Militar em Parintins, tenente coronel Francisco Magno Judss, e um oficial da tropa de choque. Nos trechos do vídeo liberado à imprensa, o grupo articula ações como o deslocamento de policiais civis e militares para Parintins. Todos os secretários envolvidos no vídeo, além de alguns comandantes da Polícia Militar, foram exonerados, na quarta-feira (02/10), pelo Governo do Estado.

O suposto esquema pretendia usar a máquina pública do Estado – principalmente as forças policiais -, e até bandidos que praticaram assaltos no Pará, para coagir eleitores da ilha Tupinambarana.

A conversa entre membros da alta cúpula da administração estadual e os PMs foi gravada no dia 3 de agosto deste ano, porém, o conteúdo dela só foi divulgado à imprensa durante uma coletiva realizada, neste final de semana, pela coligação do candidato a prefeito de Parintins, Mateus Assayag (PSD). Segundo a denúncia, as articulações teriam ocorrido, supostamente, na casa do candidato a prefeito de Manaus, Roberto Cidade (União Brasil), que também é apoiado pelo governador Wilson Lima. 

PF tenta desarticular facção criminosa

PF entrou na casa dos envolvidos no esquema de corrupção eleitoral (Foto: Divulgação/PF)

Conforme informou a PF, a operação mobiliza aproximadamente 50 policiais federais. Ainda segundo a PF, a operação visa desarticular associação entre membros de facção criminosa e agentes públicos, os quais entraram em conluio visando a prática de crimes eleitorais em prol de uma candidatura na cidade de Parintins, no interior do Amazonas.

A investigação demonstrou que foram utilizadas estruturas de Estado, inclusive, de forças policiais para benefício de uma chapa concorrente à Prefeitura de Parintins.

Além dos mandados de busca, a Justiça Eleitoral determinou a proibição do acesso dos investigados à cidade de Parintins e a proibição de contato dos investigados entre si e com coligações partidárias do referido Município.

A Superintendência Regional da Polícia Federal providenciou, esta semana, o aumento do efetivo policial no município de Parintins visando garantir a segurança do pleito na cidade, bem como a liberdade da população para exercer livremente o direito democrático ao voto. 

Sobre a investigação:

A investigação foi iniciada em razão de notícia de fato apresentada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) em Parintins à Polícia Federal no último dia 16 de setembro.

Durante as investigações, surgiram indícios de ameaças de líderes comunitários ligados a uma facção criminosa nacional de tráfico de drogas proibindo o acesso de candidatos à prefeitura a certos bairros, bem como vedação de circulação em determinadas localidades. Aliado a isso, foram colhidos indícios acerca da possível inércia de agentes públicos para coibir tais ameaças em prol de uma candidatura à Prefeitura de Parintins.

As ações coordenadas do grupo criminoso teriam promovido a espionagem de pessoas ligadas a um grupo político do município e também monitorado o deslocamento de policiais federais com a finalidade de frustrar a atuação da PF. 

Em data recente, jornais publicaram vídeos que demonstram autoridades públicas articulando para influenciar diretamente nas eleições da cidade de Parintins, mediante diversas condutas escusas e formas ilegais de atuação. A operação conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar no Estado do Amazonas no acompanhamento da execução em face dos policiais militares envolvidos.

Nome da operação

O nome da operação decorre do termo utilizado atualmente pelos moradores de Parintins, chamando-a de “ilha Tupinambarana, a ilha da magia”, fazendo referência a região que foi habitada por diversas etnias indígenas, dentre elas os Tupinambás.

O município é conhecido por situar o Festival Folclórico de Bois Bumbás, Garantido e Caprichoso. A operação da Policia Federal visa garantir o livre exercício do voto no Município.

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