MP vai ‘pra cima’ de Wilson Lima e investigará se houve improbidade administrativa no caso Parintins

Flávio Antony e Wilson Lima serão investigados pelo MP-AM (Foto: Divulgação)

A descoberta de um esquema criminoso formado por secretários de Estado e policiais para interferir nas eleições municipais de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus) começa a rondar o governador Wilson Lima (União Brasil), que será investigado por excesso de poder e improbidade administrativa pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM). A informação foi divulgada, no final da tarde desta sexta-feira (04/10), pelo órgão ministerial.

Segundo o MP-AM, além de Wilson Lima, o titular da Casa Civil, Flávio Antony, único secretário presente na reunião que articulou interferências nas eleições que não foi exonerado ainda, também é alvo do inquérito civil. Segundo o MP-AM, o objetivo é apurar, na esfera extrapenal, a ocorrência de desvio de finalidade, excesso de poder, dano ao erário e improbidade administrativa no âmbito da administração pública do Poder Executivo do Estado do Amazonas.

A suspeita é que os secretários e policiais envolvidos estavam sob aval do governador para “tocar o terror” em Parintins com o intuito de beneficiar a candidata a prefeita, Brena Dianná, que é do mesmo partido de Wilson Lima e conta com o apoio dele.

A investigação, que tramitará em caráter prioritário em razão da proximidade das eleições, ficará a cargo de promotorias do Centro de Apoio Operacional de Proteção aos Direitos Constitucionais do Cidadão (CAO-PDC).

Reunião

Na reunião gravada em vídeo que vazou no último fim de semana, as autoridades admitem que compraram votos em eleições passadas, que seguiram viaturas da Polícia Federal (PF) nas eleições para praticar crimes longe dos agentes e que iriam trazer bandidos envolvidos com milícias e crime organizado à cidade para serem presos em uma operação “forjada” pela polícia.

Nas gravações é possível identificar o presidente da Cosama, Armando do Vale; o secretário de Cultura, Marcos Apolo Muniz; o secretário da Casa Civil, Flávio Anthony; o secretário de Administração, Fabrício Barbosa; o comandante do 11º Batalhão da Polícia Militar em Parintins, tenente coronel Francisco Magno Judss, e um oficial da tropa de choque. Todos os secretários e alguns policiais foram afastados dos cargos por Wilson Lima apenas um dia antes da ação policial.

O próprio governador chegou a cogitar que o vídeo havia sofrido alterações por rivais políticos para atacá-lo. No entanto, voltou atrás e acabou demitindo os envolvidos. Apenas Flávio Antony ficou de fora.

Em nota, o MP-AM confirma que os afastamentos ocorreram após a abertura do primeiro inquérito civil, via 60ª Promotoria de Justiça Especializada no Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública (Proceapsp).

Operação

Na quinta-feira (03/10), a Polícia Federal deflagrou a Operação Tupinambarana Livre. Cinco mandados de busca e apreensão em diferentes endereços da capital amazonense.

Foram ouvidos pela polícia o ex-diretor da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), Armando do Valle, o ex-secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa, Marcos Apolo Muniz, o ex-secretário de Estado de Administração, Fabrício Barbosa, o tenente-coronel e Comandante das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), Jackson Ribeiro dos Santos, e o capitão na Companhia de Operações Especiais (COE), Guilherme Navarro Barbosa Martins.

Além de representantes da alta cúpula do Governo do Amazonas, a PF investiga a participação de Adriana Cidade – que é prima do candidato a prefeito de Manaus, Roberto Cidade (União Brasil) -, no esquema de interferência nas eleições municipais deste ano.

De acordo com a polícia, a residência de alto padrão, no município de Parintins onde a reunião das autoridades foi realizada está no nome de Adriana Cidade, que é esposa de Vanderlei Alvino, atual diretor do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam)

Silêncio

Nem o governador Wilson Lima e nem os demais envolvidos no suposto esquema criminoso se manifestaram sobre o assunto.

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