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A Polícia Federal (PF) concluiu, nesta quarta-feira (27/08), o inquérito instaurado por conta da operação “Tupinambarana Liberta”, deflagrada em outubro de 2024 para combater crimes de associação criminosa, corrupção eleitoral, abolição do estado democrático de direito, utilização de violência para obter votos e impedir o exercício de propaganda eleitoral dentro de um esquema para interferir nas eleições municipais de Parintins (a 372 quilômetros de Manaus) do ano passado.
Segundo a PF, a instituição indiciou cinco agentes públicos, entre eles ex-secretários da autal gestão do governador Wilson Lima (União Brasil) e policiais que eram membros da alta cúpula da área de segurança do Amazonas. Ainda segundo a PF, os indiciados deverão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral e abolição do Estado Democrático de Direito.
“A investigação apontou que o grupo criminoso teria utilizado parte da estrutura do governo estadual, inclusive com apoio de membros da força policial, para favorecer uma chapa que concorria à Prefeitura de Parintins/AM. As práticas identificadas envolvem compra de votos e ações voltadas a impedir o livre exercício do direito ao voto”, disse a Polícia Federal por meio de nota à imprensa.
A PF informou que inquérito já foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral (MPE), que analisará os elementos apresentados e decidirá pelas medidas judiciais cabíveis. A pena somada dos crimes investigados pode chegar a 20 anos de reclusão, considerando as qualificadoras previstas em lei.
Em 2024, foram alvos da operação da PF o ex-diretor presidente da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), Armando do Valle, o ex-secretário de Estado da Cultura, Marcos Apolo Muniz; o ex-secretário de Estado da Administração, Fabrício Rogério Cyrino Barbosa; o ex-comandante das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), tenente-coronel Jackson Ribeiro dos Santos; e o ex-comandante da Companhia de Operações Especiais (COE), capitão Guilherme Navarro Barbosa Martins.
Eles foram denunciados após o então candidato e atual prefeito de Parintins, Matheus Assayag (PSD), ter divulgado um vídeo, captado no dia 3 de agosto de 2024 e divulgado pelo mesmo no dia 29 de setembro, no qual os acusados aparecem articulando ações para interferir nas eleições do município no ano passado. Na época, logo após o surgimento da denúncia, todos os secretários envolvidos no vídeo, além de alguns comandantes da Polícia Militar, foram exonerados pelo Governo do Estado.
Relembre o caso que levou à operação da PF

Segundo a PF, a apuração teve início a partir de uma notícia de fato apresentada pelo Ministério Público Eleitoral de Parintins no dia 16 de setembro de 2024.
Durante as diligências, surgiram indícios de que líderes comunitários ligados a uma facção criminosa nacional estariam ameaçando eleitores e impedindo a circulação de candidatos em determinadas áreas da cidade. Além disso, os investigadores encontraram sinais de omissão deliberada por parte de agentes públicos para beneficiar a candidatura favorecida, bem como provas de que o grupo monitorava adversários políticos e até mesmo os deslocamentos de equipes da Polícia Federal, numa tentativa de obstruir a atuação da corporação.
As ações coordenadas do grupo criminoso teriam promovido a espionagem de pessoas ligadas a um grupo político do município e também monitorado o deslocamento de policiais federais com a finalidade de frustrar a atuação da PF. A operação foi deflagrada no dia 3 de outubro de 2024 e contou com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar do Amazonas, que acompanhou a execução das ordens judiciais contra os policiais militares envolvidos.
Nome da operação
O nome da operação decorre do termo utilizado atualmente pelos moradores de Parintins, chamando-a de “ilha Tupinambarana, a ilha da magia”, fazendo referência a região que foi habitada por diversas etnias indígenas, dentre elas os Tupinambás.
O município é conhecido por situar o Festival Folclórico de Bois Bumbás, Garantido e Caprichoso. A operação da Policia Federal visou garantir o livre exercício do voto no Município.