Em depoimento, personal diz que ex-sinhazinha aplicou ketamina no seu braço sem autorização

O homem negou que tenha sido a pessoa que apresentou a ketamina para a família da ex-sinhazinha
Hatus prestou depoimento à polícia (Foto: Reprodução)

Na manhã desta terça-feira (04/06), o personal trainer Hatus Moraes Silveira, acusado de supostamente ter iniciado a família da ex-sinhazinha da fazenda do Boi Garantido, Djidja Cardoso, no uso de drogas injetáveis, prestou depoimento à polícia e negou qualquer participação. Ele revelou que chegou a experimentar a ketamina após aplicarem no seu braço sem sua autorização.

O advogado de defesa dele, Mozart Bessa, afirmou que seu cliente é inocente. Ele esclareceu que o personal era chamado à residência da família, localizada na Rua Guapiaça, no bairro Cidade Nova, apenas para prestar socorro físico nos momentos em que os membros da família se encontravam sob efeito profundo de ketamina.

”Não fui eu que introduzi a ketamina à família como estão dizendo por aí. Eu treinava eles, e após esse treinamento eles ficaram malhados. Não tem como dar uma droga dessa e a pessoa completamente fora de si levantar peso”, disse o próprio personal na coletiva de imprensa.

Ainda conforme Mozart, em uma dessas ocasiões, que Hatus teve a substância de uso veterinário aplicada em seu braço de forma escondida pela própria Djidja Cardoso.

“Ele era atraído para prestar socorro físico à família. Quando chegou lá e em um momento de distração conversando com familiares, a falecida (Djidja) aplicou por trás dele na área do bíceps, utilizando uma seringa utilizada para aplicação de insulina. Aquelas pessoas já estavam em uma situação em que pareciam “zumbis'”, disse o advogado.

O caso aconteceu em janeiro deste ano na casa onde a ex-sinhazinha morava com a família. Hatus teria se sentido mal, mas não chegou a procurar uma ajuda médica. A defesa aponta, no entanto, que o rapaz reclamou com a família Cardoso sobre a aplicação não autorizada. Ele também alega que não fez nenhuma denúncia porque entendia que os familiares já estavam bastante prejudicados pelo uso excessivo de ketamina.

Relembre o caso

Na semana passada, familiares de Djidja e funcionários de um salão de beleza da ex-sinhazinha foram presos. A mãe dela, Cléusia Cardoso, e o irmão, Ademar Cardoso, que continuam presos, são suspeitos de criar uma seita com o nome “Pai, Mãe, Vida” em que era consumida a droga. A ex-sinhazinha Djidja Cardoso foi encontrada morta em sua casa, na última terça-feira (28/05).

Ketamina

As apreensões da droga ketamina mais do que dobraram no Brasil no ano passado ante 2022, segundo a Polícia Federal. No período, o total de casos subiu de 10 para 22 e o de gramas apreendidos, de 2.514 para 4.463 (alta de 78%). Em 2021, quando a PF passou a compilar dados sobre essa substância, o salto é maior – naquele ano houve 4 apreensões, com recolhimento de 698 gramas. A droga, também conhecida por cetamina, é obtida de um medicamento de uso humano e veterinário.