‘Produção no PIM não foi afetada por seca, mas preços devem aumentar’, afirma superintendente da Suframa

Por conta da seca e dos entraves na logística de entrega dos principais insumos, os principais produtos produzidos aqui, como eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos e motocicletas, podem ficar mais caros

Bosco Saraiva tem visitado as fábricas monitorado a seca para evitar impactos (Fotos: Divulgação/Solar Coca-Cola)

No dia em que o rio Negro atingiu o menor nível da sua história: 13,59 metros, nesta segunda-feira (16/10), o chefe da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Bosco Saraiva, em entrevista exclusiva ao Panorama Real, descartou que haja risco de paralisação nas fábricas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) por causa da seca severa no Estado. No entanto, ele ressaltou que, por conta dos entraves na logística de entrega dos principais insumos, os principais produtos produzidos aqui, como eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos e motocicletas, podem ficar mais caros.

“Nós tivemos alterações graves na logística, principalmente, com o impedimento da passagem de navios de grande calado pela Enseada do Madeira e na área do Tabocal, principais rotas para a capital amazonense. A primeira mudança feita foi a distribuição da carga para navios menores, mas agora que a situação ficou mais difícil, estamos usando o transporte por balsas. Esse novo processo onera bastante o frete dos produtos e, certamente, isso deve ser repassado para o consumidor final. Entretanto, até o momento, não houve qualquer paralisação ou demissões nas linhas de produção do Polo Industrial de Manaus”, declarou o superintendente.

Nova dinâmica

Os navios cargueiros estão descarregando os contêineres na Vila do Conde, no Pará, e de lá eles são trazidos em balsas. Com essa medida, há uma elevação na operação logística. O transporte em um contêiner vindo em navio cargueiro, por exemplo custa R$ 7 mil, mas o setor ainda precisa desembolsar mais R$ 28 mil para que as balsas tragam a mercadoria do estado vizinho até Manaus.

“É um custo muito alto porque o valor do frete se multiplica em até quatro vezes”, disse o secretário de Desenvolvimento, Indústria e Tecnologia (Sedecti), Serafim Corrêa, ao Panorama Real em entrevista na semana passada.

Questionado se as empresas devem parar em breve já que o rio Negro continua descendo, Bosco Saraiva descarta a possibilidade.

“Nos últimos meses, o volume de chuva em toda a região amazônica ficou abaixo da média, mas esse cenário deve mudar nos próximos dias. Começou a chover em alguns pontos do Estado e logo o rio deve começar a encher. Essa é a nossa expectativa. Além disso, as empresas se prepararam para esse momento. Algumas delas ainda têm estoque e outras estão pagando mais, inclusive, com transporte aéreo para que não haja desabastecimento. Portanto, até esse momento, não houve impactos da seca ao PIM”, disse ele ao Panorama Real.

Chuvas

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Manaus teve chuva abaixo da média em setembro de 2023. O total de chuva na estação meteorológica convencional da capital amazonense foi de 44,1 milímetros (mm), que corresponde a 55% da média climatológica (1991 a 2020), que é de 79,0 mm. No entanto, segundo o órgão, essa dinâmica começa a mudar. Desta segunda-feira até a próxima sexta (20/10), a previsão é de chuva em todos os dias, com pancadas durante a manhã, tarde e noite.

Monitoramento

Uma equipe da Suframa e do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) tem feito acompanhamentos diários da situação logística do Estado e os impactos para as fábricas instaladas na Zona Franca de Manaus.

“Não paramos nos fins de semana e nem nos feriados. Estamos acompanhando tudo de perto e tomando decisões importantes para que tenhamos o menor impacto possível com essa estiagem”

Seca histórica

Em 2010, o rio Negro atingiu a menor cota com 13,63 metros. Exatamente 13 anos depois, ele atinge um novo recorde de seca: 13,59 metros. A marca foi ultrapassada oito dias antes do maior registro até então da história do Amazonas. As águas continuam baixando, uma média de 13 centímetros por dia, conforme o Porto de Manaus.

add_action('wp_footer', function() { ?>