Projeto de etnoturismo em Rondônia mostra sucesso da política de integração regional da Suframa

Com apoio de incentivos no âmbito da Zona Franca de Manaus, indígenas implantam projeto de etnoturismo em Rondônia (Foto: Divulgação/PPBio)

A política de diversificação dos investimentos gerenciados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) para todos os Estados de atuação da autarquia tem sido determinante para o desenvolvimento econômico e o fortalecimento da integração regional na Amazônia.

Os primeiros frutos desta nova política já começam a surgir. É o caso do projeto Yabnaby – Espaço Turístico Paiter Suruí, desenvolvido em Rondônia, e que será a primeira agência indígena de etnoturismo criada e mantida por povos originários na Amazônia. A iniciativa recebeu investimento no valor de R$ 522 mil do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), uma política do Governo Federal que funciona no contexto da Zona Franca de Manaus, sob a coordenação da organização não governamental (ONG) Idesam, com atuação na Região Amazônica. 

“É fundamental que a gente tenha sucesso nos programas prioritários investidos por meio da Lei de Informática em toda a Amazônia, especialmente no programa prioritário que trata de bionegócios na nossa região”, afirmou o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, que tem feito da integração regional uma das suas principais bandeiras desde que assumiu o comando da autarquia em abril de 2023.

Essa postura da atual gestão da Suframa tem está de acordo com as diretrizes do Governo Federal, que orientou a Suframa a diversificar os investimentos cada vez mais para fora de Manaus, e buscar focar, também, em outros Estados onde também atua, como Roraima, Rondônia, Acre e Amapá. 

Desde o ano passado, o PPBio tem buscado bons projetos para investimento nesses Estados. Em Rondônia, por exemplo, o PPBio apoia três projetos; no Amapá, são quatro projetos; em Roraima, dois; e no Acre, dois.

Incentivos

Todas as indústrias instaladas na Zona Franca de Manaus (ZFM) são incentivadas, pela Lei da Informática, a investir em pesquisa e desenvolvimento para a região. 

De acordo com o líder de captação e relacionamento com o investidor do PPBio, Paulo Simonetti, em entrevista à Agência Brasil, ele informou que as empresas da ZFM têm obrigação de investir parte do seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento na própria região. “Uma das coisas que elas podem investir são os programas prioritários, criados pelo Governo Federal, para desenvolver a região e solucionar gargalos que a região possui”, disse Simonetti. 

Atualmente, existem três programas prioritários atuantes: um industrial, outro de empreendedorismo e um terceiro voltado para a estruturação das cadeias produtivas da Amazônia, que é o PPBio. Esse programa conta atualmente com R$ 129 milhões em aportes e um total de 61 projetos em execução ou finalizados, com perspectiva de expansão nos próximos meses.

Etnoturismo

A agência de etnoturismo Yabnaby – Espaço Turístico Paiter Suruí foi idealizada pela liderança indígena Almir Suruí, que se destaca como uma das mais empreendedoras do Brasil e possuiu prêmios internacionais em direitos humanos.

O projeto vai beneficiar as comunidades da Terra Indígena Sete de Setembro, do povo Paiter Suruí, em Rondônia, que ocupam um território de 224 mil hectares.

Segundo Amir Suruí, um plano de marketing, comunicação e negócio será elaborado ainda neste ano de 2024. A previsão é que a agência esteja funcionando no início de 2025, com sede no município de Cacoal e representação em Porto Velho, capital de Rondônia. “A agência vai ser responsável por implementar a estratégia que será criada aqui”, explicou Almir Suruí em entrevista à Agência Brasil.

O etnoturismo é uma modalidade turística em que os viajantes conhecem de perto a vida, os costumes e a cultura de um determinado povo, especialmente povos indígenas.

O projeto tem apoio do Instituto Ecoporé de ciência e tecnologia, parceiro do povo Paiter Suruí. Um dos objetivos na nova agência indígena é integrar o sistema de reservas às plataformas de hospedagem do mercado e replicar o modelo para outros territórios indígenas e etnias, visando que as atividades turísticas locais se tornem autossuficientes, informou a presidente do Instituto Ecoporé, Sheila Noele.

Plataforma

O modelo de negócio prevê a criação de uma plataforma que realizará visitas virtuais na floresta, onde pessoas da comunidade vão poder contar sobre a história do povo Paiter Suruí, a rotina na comunidade indígena, como é a alimentação, entre outros temas. 

“A ideia é que a plataforma tenha várias seções, com temas diferentes, em que os turistas possam imergir de forma online na realidade amazônica, funcionando como um ‘tira-gosto’ do que será de fato uma visita presencial na comunidade”, informou à Agência Brasil Paulo Simonetti, líder de captação e relacionamento com o investidor do PPBio. 

Haverá também o turismo físico, presencial, na comunidade, onde os visitantes poderão tomar banho de rio, conhecer a comida e medicina tradicional, participar da dança, contação de histórias, passeios de barco, trilhas na floresta e vivência com atividades produtivas.

Almir Suruí disse que será realizado um curso para preparação de guias, que receberão turistas na região, além de cozinheiras, faxineiras e outras atividades necessárias ao etnoturismo. A previsão é que o curso tenha início até o próximo mês de abril.

Com a colaboração de informações da Agência Brasil