Divergências entre vereadores da CMM atrasa início da CPI da Semcom

Parlamentares da oposição temem que, se aliados de David Almeida assumam os postos, a CPI da Semcom terminem "em pizza".

Divergências entre vereadores adiaram a instauração da CPI da Semcom (Foto: Divulgação)

O clima em torno do início dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investiga irregularidades dentro da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom), é quente na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Pela segunda vez, a instauração foi adiada e deve voltar à pauta na próxima segunda-feira (29/04). Divergências entre os vereadores da oposição e os que compõem a base do prefeito de Manaus, David Almeida, foram os motivos principais para o adiamento.

Vereadores da base do prefeito querem a presidência e a relatoria da comissão. Já os parlamentares da oposição temem que, se aliados de David Almeida assumam os postos, a CPI da Semcom termine “em pizza”.

“O novo objetivo é apurar a denúncia do pagamento em espécie a um portal de notícias, que foi filmado dentro da Semcom e amplamente divulgado. Nós não queremos iniciar uma caça às bruxas ao prefeito David Almeida, mas apenas descobrir o que de fato aconteceu dentro da secretaria. Nós temos muitas provas, inclusive o depoimento da pessoa que filmou o vídeo. Se aliados do prefeito forem colocados na relatoria e na presidência, nós tememos que a CPI vai acabar em pizza”, destacou o vereador Capitão Carpê Andrade ao Panorama Real (PL).

O vereador Marcelo Serafim (PSB) publicou um vídeo em seu perfil no Instagram denunciando a tentativa do prefeito de Manaus de intervir na Comissão Parlamentar.

“O prefeito de Manaus tenta, de todas as formas, ficar com a presidência e a relatoria. Para quê? Para fazer com que essa CPI termine em pizza. Estaremos denunciando isso”, declarou.

VEJA VÍDEO:

Estrutura da oposição

Normalmente, o autor do requerimento da CPI assume a função de presidente do inquérito – no caso, o vereador Wiliam Alemão (Cidadania). Ele faz parte do quadro de oposição ao prefeito. Capitão Carpê (PL), e Rodrigo Guedes (PP), também querem participar da presidência e da relatoria, respectivamente.

A CPI da Semcom contou com 14 assinaturas. Votaram a favor os vereadores Marcelo Serafim (PSB), Glória Carrate (PSB), Raiff Matos (PL), William Alemão (Cidadania), Elissandro Bessa (PSB), Jaildo dos Rodoviários (PV), Capitão Carpê Andrade (PL), Rodrigo Guedes (PP), Lissandro Breval (PP), Thaysa Lippy (PRD), Diego Afonso, Everton Assis e Professora Jacqueline e Caio André, todos do União Brasil.

O que diz a base governista?

Ao ser questionado se a base está lutando pela presidência e a relatoria da CPI, o vereador Eduardo Alfaia, líder do prefeito na CMM, afirmou que a investigação nem deveria acontecer, mas já que será instaurada, a base tem direito de assumir os postos por ter a maioria.

“Não é que nós estamos brigando, nós temos o direito. Eu enxergo que a CPI não deve acontecer. A CPI está sendo levada por um ingrediente político, está totalmente contaminada pelo processo eleitoral. Isso é muito preocupante. A quem interessa nesse momento uma CPI? Eu enxergo que não é bom uma comissão de inquérito nesse momento. Essa é a opinião da liderança, mas já que vai acontecer, nós temos a maioria dos membros. A maioria faz parte do bloco governista, então é um direito que nos é assegurado conforme o regimento da Casa”, destacou Alfaia à imprensa na manhã desta quinta-feira (25/04).

Prefeito tem a maioria da CMM

Para conseguir aprovar o empréstimo de R$ 580 milhões na CMM, o prefeito de Manaus precisou se articular com a liderança nacional do partido Republicanos e assim ter os votos dos vereadores da sigla a seu favor.

O vereador Roberto Sabino, que é o novo líder do Republicanos na CMM, é próximo de David Almeida. Embora a aliança do partido com o prefeito não tenha sido oficializada após essa votação, a base governista já conta com esse apoio e isso impacta diretamente na composição da CPI da Semcom. Vale lembrar que o Republicanos tem a terceira maior bancada no parlamento.

Além de Eduardo Alfaia, os vereadores Gilmar Nascimento (Sem Partido) e Elan Alencar (DC) se manifestaram contra a instauração do inquérito.

O que diz a CMM?

Prevista para a última segunda-feira (22/04), a CPI foi adiada para terça-feira (23/04) em virtude da votação do empréstimo de R$ 580 milhões solicitado pela Prefeitura de Manaus ao Banco do Brasil. Já na terça não foi possível a instauração porque, segundo nota oficial da CMM, alguns parlamentares estavam participando da Marcha dos Gestores e Legislativos Municipais, em Brasília (DF).

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