Em meio ao genocídio e pedidos de boicote, Wilson Lima assina acordo de cooperação com Israel

Para Wilson Lima, as 'parcerias' com o regime genocida de Israel, governado por Benjamin Netanyahu, são 'importantes'
Wilson Lima ignorou genocídio cometido por Israel e assinou acordo com o regime liderado por Benjamin Netanyahu (Foto: Divulgação/Secom)

Mesmo com o genocídio em curso praticado por Israel na Palestina, que, em apenas nove meses, já matou quase 38 mil palestinos – 56% deles, mulheres e crianças, segundo a ONU -, e pedidos de boicote, o governador do Amazonas, Wilson Lima, recebeu, nesta sexta-feira (22/06), o embaixador israelense no Brasil, Daniel Zonshine, e assinou acordo de cooperação técnica para a criação de grupos de trabalho para o desenvolvimento de projetos em diversas áreas.

Segundo a assessoria do governador bolsonarista, o documento contempla a cooperação nos setores de agricultura, gestão de recursos hídricos, saneamento, ciência e tecnologia, segurança pública e quaisquer outras áreas de interesse comum com foco na inovação.

Para Wilson Lima, as “parcerias” com o regime genocida de Israel, governado por Benjamin Netanyahu – o líder israelense que enfrenta pedido de prisão pela procuradoria da Corte Internacional de Justiça (CIJ) por crimes de guerra na Palestina -, são “importantes”. “Podem nos ajudar a resolver problemas históricos da nossa região, como garantir água potável e energia elétrica a quem precisa”, disse o governador, ignorando que outros países que não cometem genocídio e crimes contra a humanidade podem fornecer a mesma ajuda para o Amazonas.

Na ocasião, o representante do regime sionista de Israel estava acompanhado do cônsul honorário de Israel em Manaus, empresário Jaime Samuel Benchimol, e do presidente do Comitê Israelita do Amazonas, Sérgio Band, entre outros.

Segundo o Governo do Amazonas, o acordo não tem obrigações financeiras, mas sim ações de cooperação técnica. O Brasil tem a segunda maior comunidade judaica da América Latina, sendo que a maioria esmagadora de seus membros não nasceu em Israel e nem na Palestina.

Federação Palestina repudia acordo

Crianças são as principais vítimas do terrorismo de Israel, que fechou acordo com Wilson Lima (Foto: Divulgação)

O presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah, condenou e repudiou o acordo assinado pelo governador Wilson Lima com o regime de Israel.

Segundo o dirigente palestino, Wilson Lima “mancha as mãos com o sangue dos inocentes” assassinados pelos israelenses, principalmente, crianças e mulheres, ao fechar esse pacto com um governo que está sendo julgado pela Corte Internacional de Justiça (CIJ) por genocídio.

“Ao invés de boicotar, desinvestir e sancionar, como pede todo o mundo, inclusive o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), o governador Wilson Lima vai em sentido contrário. É inadmissível perceber que um governador pareça ter vontade de participar de um genocídio, abraçar genocidas e estar dentro de um campo de concentração presenciando, como é na Faixa de Gaza, o assassinato de, pelo menos, 20 mil crianças, a maior matança de crianças da história. É a maior matança, também, de mulheres da história. É incrível que o governador Wilson Lima queira apoiar Israel neste intento. Todos os países do mundo condenam o que acontece na Palestina, que é um genocídio. O governador do Amazonas está manchando as suas mãos de sangue das inocentes crianças e mulheres palestinas assassinadas por Israel. Wilson Lima mancha, também, as mãos de sangue do povo amazonense ao desperdiçar o dinheiro, a energia, a inteligência e a decência do povo do Amazonas. É inadmissível e devemos repudiar essa atitude do governador do Amazonas”, declarou Ualid Rabah com exclusividade ao portal Panorama Real.

Ualid Rabah destacou, ainda, que Israel é reconhecido como um regime de Apartheid por várias entidades dos direitos humanos, que se notabiliza por estar praticando um experimento genocida na Palestina e que está sendo julgado pela Corte Internacional de Justiça por genocídio, com apoio do Brasil e de outras dezenas de países, inclusive europeus.

“É inadmissível que um regime que já é investigado por crimes de guerra e perseguição pelo Tribunal Penal Internacional, e cujos dirigentes correm o risco de terem mandados de prisão emitidos pelo TPI a qualquer momento, gozem de privilégios no Estado do Amazonas. Cooperar com um regime de exceção e fascista, regime esse equivalente ao supremacismo nazista, significa dizer colaborar com o nazismo. É inadmissível que o governador Wilson Lima seja partícipe do genocídio praticado contra o povo palestino”, concluiu o presidente da Fepal, entidade que representa a diáspora palestina no Brasil.

“Antissemitismo”

Segundo a assessoria do governador, Wilson Lima, também, assinou com o embaixador de Israel, o Termo de Adesão à Definição de Antissemitismo, um termo polêmico que não é consenso no mundo e é apontado como uma forma de promover perseguições contra quem critica os crimes do regime sionista de Israel. Atualmente, o maior povo semita do mundo são os árabes, maiores vítimas do terrorismo praticado pelos israelenses, em especial no Líbano, na Síria e na Palestina.

Conforme o documento, o Amazonas fica autorizado, capacitado e orientado a usar a Definição de Trabalho de Antissemitismo como recurso educacional para abordar e prevenir atividades relacionadas a preconceitos motivados por antissemitismo.

Acordo viola posição do Brasil

O acordo assinado por Wilson Lima com o regime israelense viola o posicionamento do Governo do Brasil, que apoia o pedido da África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ) contra Israel e retirou, por ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o embaixador brasileiro em Israel e transferiu para Genebra, na Suíça.

Até o momento, Lula não indicou ninguém para ocupar o cargo em Tel Aviv e nem há previsão de quando o fará. A decisão oficializa uma redução de laços diplomáticos do Brasil com Israel pelo genocídio cometido em Gaza desde o fim do ano passado.

Lula articulou vinda de brasileiros da Faixa de Gaza ao Brasil (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Pedido de prisão de Netahyahu

No último dia 20 de maio, o procurador-chefe da Corte Internacional de Justiça (CIJ), Karim Khan, anunciou que pediu aos juízes do tribunal a emissão de ordem de prisão para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por crimes de guerra e contra a humanidade na Palestina. Ele solicitou, também, a detenção do ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant.

O procurador-chefe da CIJ afirmou que Netanyahu e Gallant são acusados de usar a fome como arma de guerra e atacar deliberadamente civis. Até o momento, quase 38 mil palestinos foram assassinados pelos israelenses – a maioria composta de mulheres e crianças -, enquanto Israel continua a bombardear o sul da Faixa de Gaza, causando o deslocamento de quase 1 milhão de pessoas da região de Rafah.

“Com base nas provas recolhidas e examinadas pelo meu Gabinete, tenho motivos razoáveis para acreditar que Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel, e Yoav Gallant, o ministro da Defesa de Israel, são responsáveis criminais pelos seguintes crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometeu no território do Estado da Palestina desde pelo menos 8 de outubro de 2023”, afirmou Khan.

Com informações da assessoria de imprensa e de agências internacionais de notícias